12 de ago de 2011

Entrevista exclusiva: Jesse Vile, diretor do documentário sobre a vida de Jason Becker

sexta-feira, agosto 12, 2011



Por Ricardo Seelig

Jesse, como surgiu a ideia de produzir um documentário sobre a vida de Jason Becker?

Há dez anos que eu queria fazer um filme sobre Jason. Sua história pessoal não é apenas fascinante e, é claro, inspiradora, mas todas as pessoas envolvidas com ele são seres humanos extraordinários. Eu sempre senti que a vida de Jason merecia ser conhecida por um número muito maior de pessoas, e espero que esse filme ajude nesse objetivo.

Devido ao estado atual de Jason, que vive uma vida praticamente vegetativa, como foi o processo de produção do filme?

A vida de Jason não é exatamente vegetativa. Esse é um equívoco normal com as pessoas com ELA – esclerosa lateral amiotrófica. Sim, Jason não pode se mover e parece estar em um estado vegetativo, mas a sua mente trabalha a pleno vapor, com 100% da sua capacidade. Isto é que faz da ELA uma doença tão devastadora. Ele tem muitas coisas acontecendo musicalmente dentro de sua cabeça, mas não é capaz de espressar-se tão rapidamente quanto a maioria das pessoas. Jason tem uma das mentes mais ativas que eu já conheci. Ele é incrivelmente claro e muito observador. Nada escapa de Jason, ele está por dentro de tudo. Trabalhar com ele foi muito divertido, e não foi muito diferente de trabalhar com as outras pessoas que participaram do filme.

A única dificuldade maior é que é muito difícil para Jason sair de casa, e por essa razão não há muitas cenas externas com ele, com exceção dos vídeos gravados nos anos 80. Na maioria dos outros documentários sobre estrelas do rock ainda vivas você normalmente as vê andando por aí, realizando as tarefas do dia a dia, viajando pelo mundo, realizando shows. Tivemos que pensar em maneiras de manter o filme sempre interessante, o que foi um desafio.

Qual o grau de participação dos pais e da família de Jason Becker na produção do filme?

A família de Jason, especialmente sua mãe Pat e seu pai Gary, foram extremamente prestativos desde o início e estão muito envolvidos com o filme. Eu moro em Londres, então preciso de alguém perto de Jason para realizar um monte de tarefas que envolvem a produção de um documentário como esse. A mãe de Jason fez um monte dessas coisas, como a coleta de fotos, imagens e documentos. Ela é, basicamente, meu braço direito na Bay Area de San Francisco, onde Jason reside. E o pai de Jason forneceu um monte de trabalhos artísticos e narrações para o filme. Ele é um cara incrível. Eu não poderia imaginar pessoas melhores para trabalhar do que eles.




Você já era um fã do trabalho de Jason, ou se interessou pela sua história só depois que soube da sua doença?

A primeira vez que eu ouvi falar sobre Jason Becker foi através do meu professor de guitarra, quando eu tinha uns 15 anos. Eu praticamente deixei Perpetual Burn (álbum lançado por Jason em 1988) no 'repeat' durante meses e pensei (ainda penso isso) que era o melhor álbum de guitarra que eu já tinha escutado. Então, quando ouvi mais sobre a história de Jason e a sua doença fiquei muito interessado em aprender mais sobre ele e comecei a comprar tudo o que ele havia produzido, de Perspective (1996) aos discos do Cacophony.

Você teve que conviver bastante com Jason para o filme? Qual o seu estado atual? Como funciona a comunicação com ele?

Eu não convivi muito com Jason. Nós ficamos em San Francisco por cerca de um mês durante as filmagens, além de duas viagens durante a pré-produção. Passamos quase todos esses dias na sua casa trabalhando. Seus pais colocaram a casa abaixo muitas vezes para que pudéssemos gravar, e foram muito agradáveis. Eles estavam sempre servindo comidas e bebidas para a gente.

Jason e eu nos comunicamos agora principalmente por e-mail. Ele está online quase todos os dias respondendo os e-mails dos fãs e resolvendo assuntos sobre a sua carreira. Ele tem esse sistema onde há duas telas de computador, uma para o datilógrafo e outra para ele, para que possa ler todas as cartas e ditar as respostas.

Imagino que o processo de edição deve ter sido bem emocionante e doloroso. Fale-nos sobre isso.

Sim. Ainda estamos editando, na verdade. É um processo longo e doloroso, pois é onde o filme surge realmente. O mais difícil é tentar contar a história de alguém em menos de duas horas. Esse é um desafio enorme, já que temos mais de 150 horas de cenas! Também é difícil agradar a todos, pois cada pessoa tem uma visão diferente de como o filme deve ser. A nossa ideia não é produzir um filme apenas para os fãs de Jason, mas sim ser capaz de chegar a um número enorme de pessoas que se identificam com a história humana que existe por trás dele. Quanto mais pessoas ouvirem sobre Jason e descobrirem a sua música, melhor. Passar duas horas analisando o modo como ele usava a palheta ou o processo de produção de Perpetual Burn seria apenas alienar os telespectadores e não prestar nenhum favor a Jason e sua família.



A família de Jason deu a você livre acesso aos arquivos em vídeo e fotos sobre ele?

Eles deram acesso a tudo. O tio de Jason, Ron, tirou um monte de fotos e gravou vários vídeos durante toda a vida de Jason, bem como algumas imagens em Super 8 quando ele ainda era um bebê. Eles desenterraram vídeos e fotos antigos que não viam há anos. Nós digitalizamos tudo, e muito desse material estará no filme. Há também vários vídeos que queremos usar mas que talvez não consigamos colocar no filme, pois são de propriedade de empresas jornalísticas que, muitas vezes, querem uma grana alta para liberar apenas 30 segundos de cenas. Mas estamos tentanto resolver isso, e espero ser possível incluir esse material no filme.

Que músicos você entrevistou para o documentário?

Nós não queríamos entrevistar um zilhão de músicos. O objetivo era fazer um filme mais pessoal, então conversamos apenas com os músicos que são próximos de Jason e que trabalharam com ele no passado. Dessa forma, estão no documentário Michael Lee Firkins, Joe Satriani, Steve Vai, Richie Kotzen e o grande amigo de Jason, Dave Lopez, da banda Flipsyde. Para mostrar a influência de Jason nos guitarristas atuais entrevistamos também Herman Li, do Dragonforce, que cita Jason como sua principal influência e inspiração. Também falamos com Jamie Humphries, que está atualmente em turnê com o Queen. Havia planos de entrevistar Jeff Loomis, Chris Broderick e Kiko Loureiro, mas não conseguimos coordenar os horários disponíveis com os compromissos profissionais desses músicos.

Quando será o lançamento do documentário? O filme tem previsão de exibição no Brasil? Há planos de lançar um DVD?

Esperamos ter o filme pronto até o final de 2011 e apresentá-lo nos festvais de cinema na primavera (outono aqui no Hemisfério Sul) de 2012. Dependendo de como for a recepção no circuito de festivais, o DVD será lançado logo após esse período. Nós vamos apresentar o filme para festivais brasileiros, então espero que você e seus leitores tenham a chance de assisti-lo em tela grande. No entanto, nós só iremos lançar o filme quando ele estiver 100% finalizado, e estamos trabalhando para concluí-lo até o final deste ano.



Depois de produzir, conviver e conhecer a fundo a história de Jason Becker, a sua opinião sobre ele mudou em que aspectos?

Eu sempre vi Jason Becker como uma figura mítica por causa do seu enorme talento, a história e a mitologia que o cerca. Quando eu o conheci pessoalmente fiquei sem palavras, e foi um momento muito importante na minha vida ficar cara a cara com ele. E agora, depois de conhecê-lo, percebo que Jason é um cara engraçado e com quem você pode se comunicar como com qualquer outro pessoa. Ele é realmente uma figura e um cara muito atencioso que adora ter pessoas ao seu redor, sair por aí e tocar a sua música. Minha admiração por ele também mudou, e hoje eu o admiro muito mais do que antes.

Que impacto produzir um filme como esse teve em sua vida?

Fazer esse filme foi uma das experiências mais desafiadoras e gratificantes da minha vida. Conheci muita gente boa que espero continuar amigo para sempre. Trabalhar com Jason foi um sonho transformado em realidade para mim. Eu espero que esse documentário tenha um grande impacto não tanto sobre a minha vida, mas sim em relação à vida de Jason. É isso que eu realmente desejo.


Site oficial: www.jasonbeckermovie.com

Shinigami Records lança clássicos do Exodus e do Forbidden no Brasil

sexta-feira, agosto 12, 2011


Por Ricardo Seelig

Dois dos álbuns mais cultuados do thrash metal norte-americano estão saindo no Brasil através da Shinigami Records. Mesmo não sendo tão reconhecidos quanto os integrantes do Big 4 – Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax -, o Exodus e o Forbidden são nomes fundamentais na história do estilo.

Fundado em San Francisco em 1982, o Exodus é a banda original do guitarrista Kirk Hammet, que em 1983 saiu do grupo para substituir Dave Mustaine no Metallica e fazer história. Fabulous Disaster, seu terceiro álbum, foi lançado originalmente em 30 de novembro de 1988 no Reino Unido e em 13 de janeiro de 1989 nos EUA, e é considerado um dos melhores discos da carreira do Exodus. Estão no trabalho faixas que viraram clássicos, como a que dá nome ao álbum e “Toxic Waltz”.

Apontado como um dos melhores discos da história do thrash metal, Fabulous Disaster volta ao mercado brasileiro em uma edição caprichada via Shinigami, com novo encarte com informações - e diversas fotos - e quatro faixas bônus ao vivo - “Fabulous Disaster”, “Toxic Waltz”, “Cajun Hell” e “Corruption”.





O Forbidden surgiu em 1985 em Hayward, na Califórnia, e contou com vários músicos que mais tarde alcançariam reconhecimento muito maior em outras bandas, como Robb Flynn (o líder do Machine Head), Paul Bostaph (baterista que substituiu Dave Lombardo no Slayer por quase dez anos) e Gene Hoglan (um dos maiores bateras do metal extremo).

A aclamada estreia do grupo, lançada em 30 de setembro de 1988, está agora disponível para os headbangers brasileiros com quatro bonus tracks gravadas ao vivo - “Feel No Pain”, “As Good as Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood” -, além de um novo encarte. Forbidden Evil é um excelente disco, e, sem sombra de dúvida, também um dos grandes registros do thrash metal norte-americano.

Aproveite esses dois relançamentos e adquira ambos os discos, pois tratam-se de itens essenciais na coleção de qualquer metalhead.

Joss Stone: nova coletânea na praça

sexta-feira, agosto 12, 2011



Por Ricardo Seelig


Aproveitando o anúncio de que Joss Stone cantará no Rock in Rio 4, a EMI brasileira está lançando a compilação Super Duper Hits: The Best of Joss Stone. Se você ainda não tem nada desta ótima cantora inglesa, está aí a oportunidade de começar a sua coleção e conhecer a sua música.

Confira o tracklist:

1. “Fell In Love With A Boy”
2. “Super Duper Love”
3. “You Had Me”
4. “Right To Be Wrong”
5. “Don’t Cha Wanna Ride”
6. “Spoiled”
7. “Tell Me ‘Bout It”
8. “Baby Baby Baby”
9. “Tell Me What We’re Gonna Do Now” (featuring 
Common)
10. “Bruised But Not Broken”
11. “L-O-V-E”
12. “Free Me”
13. “Stalemate” (featuring 
Jamie Hartman)



11 de ago de 2011

Novembers Doom: resenha do álbum 'Aphotic' (2011)

quinta-feira, agosto 11, 2011


Por Ricardo Seelig

Nota: 8,5

Oitavo álbum do grupo norte-americano Novembers Doom, Aphotic apresenta um equilíbrio entre a sonoridade mais extrema dos primeiros discos e a música assumidamente mais acessível e “mansa” dos trabalhos recentes. De um modo geral o álbum expõe uma presença muito maior de elementos doom, característica essa exteriorizada já no título, uma alusão à região mais escura do oceano, além do alcance da luz, e por isso mesmo desconhecida e virgem ao homem.

Liricamente, o disco explora temas como a escuridão interna do ser humano, responsável por gerar pensamentos e desejos desagradáveis que, muitas vezes, afetam nossas vidas. Uma temática sombria e negativa, traduzida com perfeição nas faixas de Aphotic.

Percebe-se um esforço constante da banda em não se limitar ao death nem ao doom metal, gêneros com os quais é comumente associada, o que faz com que o álbum soe sempre surpreendente, colocando na mesa alternativas inesperadas para o ouvinte.

O tracklist, bastante consistente, tem alguns destaques imediatos, como a abertura com a pesada “The Dark Host”, onde é possível identificar uma bem-vinda influência do Opeth, manifestada no contraste entre as partes mais pesadas e as passagens climáticas mais calmas. Outro grande momento é a linda balada “What Could Have Been”, com a participação especial da ex-The Gathering Anneke Van Giersbergen e sua voz angelical.

Aphotic é um álbum envolvente, e, sem dúvida, o trabalho mais consistente do Novembers Doom nos últimos tempos. Se você é fã, irá curtir. Se não conhece a banda, está na hora de ouvir.



Faixas:
  1. The Dark Host
  2. Harvest Scythe
  3. Buried
  4. What Could Have Been
  5. Of Age and Origin – Part 1: A Violent Day
  6. Of Age and Origin – Part 2: A Day of Joy
  7. Six Sides
  8. Shadow Play

Virgin Steele: review do álbum 'The Black Light Bacchanalia' (2010)

quinta-feira, agosto 11, 2011


Por Ricardo Seelig

Nota: 7,5

Décimo-segundo álbum do Virgin Steele, The Black Light Bacchanalia traz a banda liderada pelo vocalista David DeFeis com uma bem-vinda ousadia em busca de novos caminhos para o power metal. O som do novo disco é mais sombrio, escuro, característica que torna a música mais interessante e mostra que é possível tirar o estilo da estagnação em que se encontra.

As variações de climas e atmosferas e as melodias inspiradas, aliadas aos sempre fortes refrões, tornam a audição uma experiência motivadora, o que, em um trabalho com várias faixas longas, é um grande mérito. Os sempre presentes elementos teatrais e sinfônicos e as harmonias vocais de DeFeis, marcas registradas da banda, surgem renovados, reafirmando o status do Virgin Steele como um dos nomes mais respeitados da ala mais tradicional do heavy metal.

David DeFeis, além de um grande vocalista, é um excepcional compositor, e isso fica claro mais uma vez. O baterista Frank Gilchriest é um destaque à parte, apresentando uma técnica impressionante.

O ponto de convergência entre a sonoridade habitual do Virgin Steele e o caminho mais sombrio apresentado em The Black Light Bacchanalia se dá em “In a Dream of Fire”, composição que equilibra os ingredientes tradicionais da música do grupo com a atmosfera mais escura apresentada no novo álbum.

The Black Light Bacchanalia é mais um belo disco dessa ótima banda, que é a imagem e semelhança de seu líder, um dos maiores músicos da história do heavy metal.

Faixas:
  1. By the Hammer of Zeus (And the Wrecking Ball of Thor)
  2. Pagan Heart
  3. The Bread of Wickedness
  4. In a Dream of Fire
  5. Nepenthe (I Live Tomorrow)
  6. The Orpheus Taboo
  7. To Crown Them with Halos (Parts 1 & 2)
  8. The Black Light Bacchanalia (The Age That is to Come)
  9. The Tortures of the Damned
  10. Necropolis (He Answers Them with Death)
  11. Eternel Regret

10 de ago de 2011

Love na capa da nova edição da poeira Zine

quarta-feira, agosto 10, 2011


Por Ricardo Seelig

Acabou de sair a nova edição da excelente poeira Zine, a melhor revista de música do Brasil.

Saca só o recheio:

LOVE

A pZ passa a limpo a trajetória de Arthur Lee e de sua banda Love, grupo seminal norte-americano dos anos 60 responsável pela obra-prima Forever Changes (1967) e outras. Inclui álbuns comentados, fotos inéditas, a relação de Lee com Jim Morrison e muito mais. Dos anos dourados da Sunset Strip passando pelos anos amargos na prisão, até a volta triunfal na década passada e a morte de Arthur Lee há cinco anos.

CAMPO DI MARTE

O lendário grupo italiano que lançou um único trabalho em 1973, mas mesmo assim entrou para a história do rock progressivo mundial.

CHRIS SQUIRE

O pZ Hero dessa edição é também um herói do contrabaixo. Seu espírito de liderança no Yes, seu genial trabalho solo em Fish Out of Water (1975), sua passagem pelo SYN e muito mais!

BRAZILIAN BITLES

A segunda parte da curiosa trajetória desse lendário agrupamento beat carioca.

SELO ISLAND

A segunda parte de um extenso levantamento sobre o período mais rico de um dos grandes selos independentes dos anos 60 e 70. O que disseram na época e o que temos a dizer hoje sobre os trabalhos de grupos como King Crimson, Jethro Tull, Traffic, Mountain, Mott the Hoople, Procol Harum e muitos outros.

FORA DO EIXO

Um passeio pelo mundo exótico da música através de bandas como Mantis (Ilhas Fiji), Los York's (Peru), The Magic Bubble (Canadá), The Loved Ones (Austrália) e Black & White (Alemanha).

MUNDO BOLHA

Dug Dug's, Jim Capaldi, Presto Ballet, Cromagnon, Derek Sulman, Eddie Cochran e muito mais.

CAPAS HISTÓRICAS

Caravan, lançado pelo Caravan em 1968.

PÉROLAS ESCONDIDAS

Space Opera, Zao, Tony & Frankye, Hounds, Orpheus e Roger Rodier.

HAVE A NICE DAY

“Funky Nassau Part I”, do The Beginning of the End.


Promoção Mês do Rock Hellion Records e Collector´s Room: conheça os dois novos ganhadores

quarta-feira, agosto 10, 2011


Por Ricardo Seelig

Realizamos o sorteio da promoção Mês do Rock Hellion Records e Collector´s Room e dois ganhadores não enviaram os seus endereços para que pudéssemos entregar os prêmios.

Devido a isso, decidimos realizar um novo sorteio para os prêmios que ainda estão disponíveis. Dessa maneira, os novos sortudos são:

Wayner Rodrigues
ganhou o box The Incident, do Porcupine Tree

Sara Heffel
ganhou um Kit Hellion com 6 CDs

Ambos serão comunicados através de seus perfis nas redes sociais em que estão, e devem enviar os seus endereços de correspondência completos até sexta-feira, dia 12 de agosto. Caso isso não ocorra, realizaremos um novo sorteio, e assim sucessivamente.

9 de ago de 2011

Adrenaline Mob: review do EP 'Adrenaline Mob' (2011)

terça-feira, agosto 09, 2011


Por Ricardo Seelig

Nota: 8,5

Quando for ouvir o Adrenaline Mob tenha uma coisa em mente: o som do grupo não tem nenhum dos elementos progressivos que sempre estiveram presentes na música do Dream Theater, banda fundada pelo baterista Mike Portnoy. Ao lado de Portnoy no Adrenaline Mob estão o ótimo vocalista Russell Allen (Symphony X), os guitarristas Mike Orlando e Rich “The Duke” Ward (Stuck Mojo, Fozzy) e o baixista Paul DiLeo, e o quinteto executa um heavy metal atual, repleto de energia e peso.

A curiosidade e expectativa em relação às primeiras composições próprias do quinteto eram imensas. A divulgação de um vídeo com a banda tocando uma estupenda versão da clássica “The Mob Rules”, do Black Sabbath, só fez a espera ficar ainda mais demorada. Mas e daí, vale a pena? Pra que lado vai o Adrenaline Mob? Como é a banda? Vale o play? Olha meu amigo, vale, e muito!

Adrenaline Mob EP tem apenas cinco faixas – quatro inéditas e o já citado cover do Black Sabbath. As músicas próprias são heavy metal de alto quilate turbinados pela adição de sutis e certeiros elementos que tornam o som do quinteto extremamente atual. O principal responsável por isso, ao contrário do que se poderia pensar, não é Portnoy, mas sim o outro Mike da banda. Mike Orlando é um guitarrista fenomenal, e que no Adrenaline Mob encontrou o terreno perfeito para explorar toda a sua criatividade e talento. Amparado pelas bases seguras do competentíssimo Rich Ward, Orlando escreve um capítulo à parte com a sua guitarra nesse EP, colocando os holofotes sobre si e, de certa forma, ofuscando o integrante mais famoso do conjunto.

Esse mesmo raciocínio vale para Russell Allen. Todo mundo que acompanha o Symphony X sabe que Allen é um vocalista excepcional, e aqui ele reafirma, de novo e mais uma vez, o quanto é diferenciado. Seguindo a linha do que tem feito nos últimos discos do Symphony X, Russell canta de forma agressiva, soando como uma espécie de Ronnie James Dio décadas mais jovem – o que ele faz em “The Mob Rules” deixaria o falecido Dio orgulhoso, com certeza absoluta.

Falando exclusivamente de Mike Portnoy, que é o motivo principal pelo qual a maioria das pessoas irão ouvir o Adrenaline Mob, o baterista surge de forma diferente em seu novo grupo. Ao invés da exuberância percussiva característica do Dream Theater, o que temos aqui é um trabalho de bateria mais direto, centrado nas composições e não tanto em exibições individuais muitas vezes gratuita. Portnoy parece mais focado na banda, usando toda a sua impressionante e reconhecida técnica para tornar as faixas ainda mais atraentes e pesadas. Estamos falando daquele que muitos consideram, com justiça, o melhor baterista de sua geração, e em seu novo grupo Mike Portnoy mostra que é capaz de se reinventar, tocando de uma maneira bastante diferente daquela que estávamos acostumados a ouvir no Dream Theater.

O que dá pra sentir nesse EP é que o Adrenaline Mob promete, e bastante. Formado por cinco excelentes músicos – sendo que os dois Mikes são verdadeiros fenômenos em seus instrumentos -, o grupo apresenta um sólido trabalho de composição em sua estreia, o que, aliado à performance inspirada e um tanto selvagem de todos, resulta em um disquinho pra lá de competente. Entre as faixas inéditas, todas muito interessantes, as minhas preferidas são “Believe Me”, com ótimas variações vocais de Russell Allen, e “Hit the Wall”.

Produzido por Russell Allen e mixado por Mike Orlando, o EP de estreia do Adrenaline Mob aponta para um futuro promissor, e que será conferido em sua plenitude no primeiro álbum do grupo, previsto para o primeiro semestre de 2012. Porém, após ouvir as suas faixas, fica uma certeza: quem estava esperando algo na linha do Dream Theater irá se decepcionar, pois o som do Adrenaline Mob não tem nada a ver com a antiga banda de Portnoy.

Pessoalmente gostei bastante, e não vejo a hora de ouvir o álbum completo!


Faixas:
  1. Psychosane – 4:39
  2. Believe Me – 3:58
  3. Hit the Wall – 6:27
  4. Down to the Floor – 3:46
  5. The Mob Rules – 3:17

Jon Lord diagnosticado com câncer

terça-feira, agosto 09, 2011


Leia abaixo o comunicado oficial publicado pelo músico em seu site oficial:


I would like all my friends, followers, fans and fellow travelers to know that I am fighting cancer and will therefore be taking a break from performing while getting the treatment and cure.


I shall, of course, be continuing to write music — in my world it just has to be part of the therapy — and I fully expect to be back in good shape next year.


God bless and see you soon.


Jon Lord

Carro Bomba: resenha do álbum 'Carcaça' (2011)

terça-feira, agosto 09, 2011


Por Ricardo Seelig

Nota: 9,5

Ricardo Batalha, o mais importante jornalista de hard rock e heavy metal do país, classificou o Carro Bomba como “a melhor banda de heavy metal cantado em língua portuguesa”. Esse comentário, naturalmente, faz com que qualquer pessoa que vá ouvir o novo álbum do quarteto paulista encare o disco com grande expectativa. E quer saber? Ela é plenamente alcançada!

Em seu quarto disco, o Carro Bomba alcançou um nível de qualidade que o coloca, com justiça, no topo do heavy metal brasileiro. Composições inspiradas e muito bem construídas, todas amparadas por riffs pesadíssimos, garantem a satisfação do mais exigente fã. O timbre extremamente pesado e grave dos instrumentos salta aos ouvidos, e é um dos principais diferenciais de Carcaça. Para alguém que cresceu ouvindo Black Sabbath – principalmente da fase Dio – como eu, o ato de não se empolgar com o que sai dos alto-falantes é impossível.

Entrosadíssima e extremamente fiel aos seus princípios, a banda gravou em Carcaça o seu melhor disco. Não há nada negativo no álbum – tudo bem, a voz de Rogério Fernandes pode dividir opiniões, mas casa perfeitamente com a proposta do grupo -, uma avalanche sucessiva de canções empolgantes que pegam o ouvinte de jeito e o fazem bater cabeça compulsivamente.

Faixas mais cadenciadas como “Combustível” e “Mondo Plástico” tornam evidente a influência de Tony Iommi e companhia, enquanto composições como “Bala Perdida” e “Queimando a Largada” são heavy metal puro da melhor estirpe. A veia blues dos caras surge forte em “Blueshit”, uma das melhores faixas do álbum e um convite explícito ao 'banging'. Vale uma menção especial às letras, inteligentes e sempre explorando temas urbanos e comuns nas grandes cidades, saindo totalmente do lugar comum.

Ao final da audição de Carcaça chega-se a uma conclusão pura e simples: se esse disco tivesse sido gravado por uma banda gringa a repercussão em nosso mercado seria muito maior do que está sendo. E mais: Carcaça tem qualidade de sobre para cair no gosto de qualquer fã de metal em qualquer parte do mundo, e receber críticas positivas em qualquer publicação do planeta.

Vou concordar com Ricardo Batalha, o Eddie Trunk brasileiro, e assinar embaixo, mas com um adendo: o Carro Bomba não é apenas a melhor banda de heavy metal cantado em português do Brasil. O quarteto formado por Rogério Fernandes (vocal), Marcello Schevano (guitarra), Fabrizio Micheloni (baixo) e Heitor Shewchenko (bateria) é responsável, hoje, pelo melhor metal produzido em nosso país, sem sombra de dúvida.

Nasceu um novo clássico, e seu nome é Carcaça!


Faixas:
  1. Bala Perdida
  2. Queimanda a Largada
  3. Carcaça
  4. Combustível
  5. O Medo Cala a Cidade
  6. Mondo Plástico
  7. Blueshit
  8. Corpo Fechado
  9. O Foda-se III
  10. Tortura (Pau Mandado)

8 de ago de 2011

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