18 de out de 2013

Black Sabbath e Megadeth (Campo de Marte, São Paulo, 11/10/2013)

sexta-feira, outubro 18, 2013
- Nos reunimos e começamos a tocar. E que barulho era aquilo. Eu nem sabia o que Geezer estava tocando. Ele tinha uma guitarra Telecaster comum, tentando tocar baixo com aquilo. Eu me perguntava: o que estamos fazendo aqui? Mas fomos persistentes (...) Tocamos todo tipo de blues e jazz e aquilo parecia evoluir para este som... sabíamos que era algo novo quando tocamos as canções pela primeira vez - elas soavam diferente de qualquer coisa que qualquer pessoa estivesse fazendo naquela época. Mas não tínhamos a menor ideia para onde iríamos com aquilo. Tocávamos daquela maneira porque gostávamos da forma que soava. Nós curtíamos aquilo.

Incrível como o show do Black Sabbath em São Paulo corrobora o relato acima, concedido por Tony Iommi ao escritor britânico Joel Mciver e que pode ser lido logo nas páginas iniciais da biografia Sabbath Bloody Sabbath (2006). De certa forma, as palavras do guitarrista soam um tanto quanto ingênuas e batidas. Algo que qualquer músico iniciante costuma reproduzir. Porém, são encharcadas de precisão e realidade. Ainda que passados quase 45 anos desde a gênese, o som da banda permanece diferente de tudo. E novo como se tivesse sido forjado ontem.

Além dessas duas constatações, a conclusão principal fica para o encerramento do trecho. "Nós curtíamos aquilo". Quem esteve no Campo de Marte na última sexta-feira, 11 de outubro, naturalmente saiu com a certeza explícita de que Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler ainda têm a maior satisfação possível em reproduzir ao vivo o que criaram há mais de quatro décadas. Hinos do hard rock/heavy metal. Sim, os caras ainda curtem isso.


Bastava olhar, a cada palhetada, o sorriso de canto de boca sarcástico e malévolo de um sisudo Tony Iommi para perceber o quanto ele reverencia a própria criação. Mais do que qualquer um dos 70 mil presentes. Iommi queima por dentro. Seus olhos - e seu crucifixo - brilham como uma cidade à noite. A real personificação do mal por meio de riffs mais pesados que o céu... e o inferno.

Geezer Butler e Ozzy Osbourne poderiam facilmente ser meros coadjuvantes diante do monstro sobrenatural que - atualmente - ocupa a ponta esquerda do palco. Não o são. Tanto que Ozzy conquistou o direito de ficar no meio dos dois e hoje, acertadamente, figura na porção central do tablado. À direita, Geezer empunha seu instrumento da condição de um dos baixistas mais subestimados da história. Nunca teve a grife de nomes como Jonh Paul Jones, Jack Bruce ou John Entwistle, mas bate de frente com os três numa boa.


Contudo, antes dessa tríade entrar em ação ao lado do excelente Tommy Clufetos na bateria, houve tempo para uma hora de Megadeth. Dentre o público, a maioria sequer lembrava que a banda iria tocar. Muitos se ligaram só com as primeiras notas de "Hangar 18". Por outro lado, era possível detectar também alguns que foram mais por Dave Mustaine e cia. Poucos, mas que se fizeram notar. Por incrível que pareça. E, a despeito do som baixo da guitarra de Mustaine, faça-se justiça: a apresentação foi eficiente. Recheada basicamente pelos maiores clássicos, como "Holy Wars... The Punishment Due", "Symphony of Destruction", "In My Darkest Hour" e "Peace Sells", possibilitou à banda protagonizar um bom show de aquecimento. Ainda mais se lembrarmos que a junção dos fatores "Mustaine" e "ao vivo" tende a gerar "tragédia" como produto.

Era chegada, então, a hora da verdade. Todo mundo sabia os detalhes de cada canção, a ordem do set list, a disposição do palco, o desenrolar da performance, mas ainda assim havia certa apreensão. Uma coisa é conhecer isso no papel. Outra é ver in loco. Só que nada que começa com "War Pigs" pode dar errado. E, logicamente, não deu. Depois da pedrada inicial, a sequência veio com a pesadíssima "Into the Void", além de "Under the Sun" e "Snowblind", as duas únicas representantes do melhor disco do Sabbath: Vol 4 (1972).


Coube a "Age of Reason", uma das mais fracas de 13 (2013), ser justamente apresentada como a primeira do disco novo, algo que esfriou um pouco o início triunfal. Para levar o delírio e a insanidade ao topo novamente, uma trinca do álbum de estreia: "Black Sabbath", "Behind the Wall of Sleep" e "N.I.B". Simplesmente indescritível o clima fúnebre gerado pela faixa homônima à banda, bem como o a perfeição do solo de "N.I.B". Se alguém ainda tinha dúvida de que o heavy metal nasceu no dia 13 de fevereiro de 1970, creio que tal problema foi mais do que corrigido.

"End of the Beginning" precedeu outra trinca de um mesmo disco, desta vez Paranoid (1970): "Fairies Wear Boots", "Rat Salad" - acompanhada do solo de bateria de Clufetos - e "Iron Man", cantada em algo além do que pode ser chamado de uníssono. "God is Dead?" e "Dirty Women", a única pertencente a um disco pós-1972 a ser tocada - à exceção das três novas, claro -, prepararam o terreno para o arraso que foi "Children of the Grave". Para fechar, indiscutivelmente o maior clássico do Sabbath: "Paranoid", que tomou de assalto o Campo de Marte, não sem antes ser precedida pelo riff inicial de "Sabbath Bloody Sabbath", onde Tony Iommi deixa 70 mil indivíduos com água na boca. O desfecho definitivo? "Zeitgeist" sendo executada pelo som mecânico.


Algum ponto negativo? Não sei se a expressão correta seria essa, mas o fato é que cabem e são pertinentes algumas observações. Primeiro, "Under the Sun" teve seu finalzinho, geralmente chamado de "Every Day Comes and Goes" limado sem dó. Uma grande pena. Segundo, é muito fácil entender os motivos que levaram a banda a não tocar nada de Sabbath Bloody Sabbath (1973), Sabotage (1975) e, principalmente, Never Say Die (1978). Na hora de selecionar os melhores momentos da carreira, ninguém vai querer pegar aqueles em que a atuação até foi boa, mas o ambiente e o relacionamento eram péssimos. Só que, se houve espaço até para uma do Technical Ecstay (1978), ao menos "Sabbath Bloody Sabbath" e "Symptom of the Universe", de longe as melhores de seus respectivos discos, poderiam ter rolado. 

Para abrir esse espaço, bastava terem tocado músicas menores de 13. Juntas, "End of the Beginning", "God is Dead?" e "Age of Reason" somam quase 24 minutos. Média de oito minutos para cada. O disco novo é ótimo e extremamente relevante. Justamente por isso, poderia ter sido contemplado com outras melhores. Quem mantivessem "God is Dead?", já que é o principal single do trabalho, mas ao lado de "Loner" e "Live Forever", por exemplo, mais diretas, urgentes e que funcionam muito melhor ao vivo - como pode ser conferido aqui.


Por falar em 13, o show apenas comprova um claro equívoco cometido no disco. Tommy Clufetos está anos-luz à frente de Brad Wilk e deveria tê-lo gravado. Brad até fez um trabalho razoável, mas Tommy é fenomenal e teria elevado as linhas de bateria a um outro patamar. Sem falar no quesito identificação, já que o cara parece um Bill Ward mais novo e vivendo o auge.

Apontamentos, no entanto, que em nada diminuem o show. Por duas inesquecíveis horas do dia 11 de outubro de 2013, entre 21h e 23h, o Black Sabbath reinou absoluto. Acompanhados de um baterista acima da média, Tony Iommi, Geezer Butler e Ozzy Osbourne, três sujeitos de Aston, um cinzento distrito de Birmingham, na Inglaterra, destilaram a magia ímpar de sua música. E, como gigantes, caminharam incólumes sobre São Paulo.

Setlists

Megadeth: "Hangar 18", "Wake Up Dead", "In My Darkest Hour", "She-Wolf", "Sweating Bullets", "Kingmaker", "Tornado of Souls", "Symphony of Destruction", "Peace Sells" e "Holy Wars... The Punishment Due"

Black Sabbath: "War Pigs", "Into the Void", "Under the Sun", "Snowblind", "Age of Reason", "Black Sabbath", "Behind the Wall of Sleep", "N.I.B", "End of the Beginning", "Fairies Wear Boots", "Rat salad" (+ solo de Tommy Clufetos), "Iron Man", "God Is Dead?", "Dirty Women", "Children of the Grave", into de "Sabbath Bloody Sabbath" e "Paranoid"(+ "Zeitgeist" no som mecânico)


Por Guilherme Gonçalves

Iron Maiden lidera ranking da Billboard sobre as turnês mais lucrativas

sexta-feira, outubro 18, 2013
Essa é para quem adora falar que o Iron Maiden só faz sucesso no Brasil. A Billboard divulgou o seu ranking com as turnês mais lucrativas do mundo, e a banda de Steve Harris está no topo. A Maiden England World Tour, que está em sua perna final, arrecadou 57,4 milhões de dólares em 54 shows realizados em todo o planeta, que atraíram um público superior a 900 mil pessoas.

Abaixo o top 10 das turnês mais lucrativas do último mês, segundo os dados da Billboard:

1 Iron Maiden - US$ 15.222.471
2 Elton John - US$ 8.930.160
3 Michael Jackson The Immortal World Tour - US$ 7.761.670
4 Jasom Aldean - US$ 6.181.483
5 Mötley Crüe - US$ 3.112.277
6 Steely Dan - US$ 2.544.099
7 Blake Shelton - US$ 1.830.752
8 Alejandro Sanz - US$ 1.770.702
9 Avicii - US$ 1.157.173
10 The Lumineers - US$ 993.325

Por Ricardo Seelig

Transatlantic lançará novo disco em janeiro

sexta-feira, outubro 18, 2013
O desejo de muitos irá se tornar realidade em janeiro. O Transatlantic, supergrupo prog formado por Roine Stolt (The Flower Kings), Pete Trewavas (Marillion), Neal Morse (Flying Colors, Spock’s Beard) e Mike Portnoy (The Winery Dogs, Flying Colors, Adrenaline Mob, Dream Theater) lançará no início de 2014 o seu quarto disco de estúdio.

O álbum se chamará Kaleidoscope e quebrará um silêncio de cinco anos do quarteto, cuja discografia se completa com SMPT:e (2000), Bridge Across Forever (2001) e The Whirlwing (2009).

A banda também anunciou que contará com Daniel Gildenlöw, do Pain of Salvation, como quinto integrante durante a turnê de promoção de Kaleidoscope, que durará seis semanas. Além disso, o show que o Transatlantic fará no Progressive Nation At Sea, cruzeiro progger que acontecerá entre 18 e 22 de fevereiro, contará com a participação do vocalista Jon Anderson enquanto a banda executará clássicos do Yes. Participam também do cruzeiro nomes como King’s X, Anathema e The Devin Townsend Project.

Por Ricardo Seelig

Novos clipes do Nightwish, Rush, Korn, The Flower Kings, Paradise Lost e Kataklysm

sexta-feira, outubro 18, 2013
Para começar bem a sexta-feira, novos vídeos que irão fazer a trilha do seu dia. Destaque para o Nightwish e o exemplo claro de como a mudança de apenas uma peça na formação de uma banda - no caso, Floor Jansen no lugar de Anette Olzon - pode colocar esse mesma banda em um nível muito - mais muito mesmo - superior do que o line-up anterior.

Boa audição!

 

Por Ricardo Seelig

17 de out de 2013

Novos clipes: Orchid, Place Vendome, The 69 Eyes, Heart of a Coward, Airbourne, Hail of Bullets, Nightfall, Revocation e Stryper

quinta-feira, outubro 17, 2013
Mais uma passada geral nos novos vídeos lançados nos últimos dias. Destaque para o novo clipe do Orchid, para a nova música do Place Vendome (que foi lançada há algumas semanas atrás mas passou batida por aqui) e para, mais uma vez, a boa leva de novas bandas que pipocam sem parar em todo o mundo.

Só aumentar o volume e curtir!

 

Por Ricardo Seelig

Assista “Loner”, primeiro clipe do novo DVD ao vivo do Black Sabbath

quinta-feira, outubro 17, 2013
O Black Sabbath lançará dia 22 de novembro o DVD Gathered in Their Masses, gravado ao vivo em Melbourne, Austrália, durante a turnê do álbum 13.

Divulgando o material, a banda liberou o vídeo da faixa “Loner”, uma das melhores de seu último álbum.

É de arrepiar, é de chorar, é de emocionar. É Black Sabbath!

Menção honrosa para uma certa banda que aparece aos três minutos e meio, curtindo o som do Sabbath ao lado palco.



Por Ricardo Seelig

Tarja: crítica de Colours in the Dark (2013)

quinta-feira, outubro 17, 2013
Quarto álbum solo de Tarja Turunen, Colours in the Dark é também o seu trabalho mais consistente desde que deixou o Nightwish, em 2005. Encontrando um caminho próprio e cheio de personalidade, que deixa de lado algumas das características mais marcantes da banda que a consagrou - principalmente a velocidade e a avalanche de bumbos duplos do acento power metal do grupo finlandês -, a vocalista entrega um álbum feito sob medida, onde a sua voz é o instrumento principal.

Produzido pela própria Tarja e lançado recentemente no Brasil pela Hellion Records, Colours in the Dark traz nove faixas próprias e uma versão para “Darkness”, de Peter Gabriel. Ao lado da bela soprano estão os guitarristaa Alex Scholpp e Juian Barrett, o tecladista Christian Kretschmar, os baixistas Kevin Chown e Doug Wimbish e o baterista Mike Terrana.

Colours in the Dark mostra Tarja encontrando e solidificando a sua nova personalidade artística, e revelando que é perfeitamente capaz de andar sozinha sem a presença de seus antigos companheiros de banda. Seus três discos anteriores - Henkäys Ikuisuudesta (2006), My Winter Storm (2007) e What Lies Beneath (2010) - foram, aos poucos, apresentando e desenvolvendo os elementos que se revelam, enfim, maduros no novo álbum. Apostando em um metal que traz contornos sinfônicos e pitadas de música clássica, Tarja mostra que é possível seguir um caminho diferente do que, habitualmente, se revela à frente da maioria dos artistas que apostam nessa sonoridade - não há velocidade, não há coros épicos, não há teclados pseudo eruditos por aqui.

Colocando a sua voz como personagem principal e contando com uma ótima banda, Tarja entrega grandes canções. A principal é justamente a que abre o disco, “Victim of Ritual”, com excelente performance vocal - uma redundância, em se tratando de Tarja. A grudenta “500 Leters” também merece destaque, assim como “Never Enough” (com riffs de guitarra bem atuais e até pouco tempo atrás impensáveis em uma música com a sua voz) e a pesada “Neverlight”.

Há, porém, alguns delizes que jogam contra o resultado final. O principal deles é a duração exagerada de algumas composições, principalmente “Lucid Dreamer”, uma música agradável que, sem mais nem menos, se perde em um longo trecho instrumental que não leva a lugar nenhum em sua parte central. Algo semelhante se repete em “Deliverance”, o que torna ambas cansativas e uma espécia de anti-climax de Colours in the Dark. Talvez isso tenha acontecido pela ausência de um pulso forte e com poder de dizer não, de impor limites, já que a produção ficou a cargo da própria Tarja.

Mesmo assim, trata-se de um disco muito interessante, e certamente, como dito no início, o melhor álbum solo de Tarja Turunen. Ouça, e surpreenda-se positivamente!

Nota 8

Faixas:
1 Victim of Ritual
2 500 Letters
3 Lucid Dreamer
4 Never Enough
5 Mystique Voyage
6 Darkness
7 Deliverance
8 Neverlight
9 Until Silence
10 Medusa

Por Ricardo Seelig

16 de out de 2013

Gustavo Sazes, ilustrador brasileiro, expõe seus trabalhos em Portugal

quarta-feira, outubro 16, 2013
O renomado artista brasileiro Gustavo Sazes fará a primeira exposição pública de seus trabalhos na Europa em dezembro de 2013. Do Caos à Progressão // A Arte de Gustavo Sazes é o nome escolhido para o evento que acontecerá na cidade do Porto, Portugal. A exposição tem como principal apoiadora a mais antiga e prestigiada loja de música alternativa do Porto, a Piranha Record Store, que comemora seus 18 anos em 1º de dezembro, dia da inauguração do evento.

A mostra fará uma retrospectiva dos trabalhos desenvolvidos por Sazes nos últimos anos e contará com mais de 100 artes exclusivas divididas entre 20 quadros expostos diariamente ao público. O artista, de renome mundial, tem criado artes para bandas, editoras e artistas solo das mais variadas vertentes e estilos em mais de 30 países incluindo Brasil, Suécia, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Áustria, Grécia, Coréia do Sul, Canadá, Dinamarca, etc.


Sua extensa lista de clientes inclui nomes como Arch Enemy, Morbid Angel, James LaBrie, Firewind, Gus G., Spiritual Beggars, Kamelot, Dream Evil, God Forbid, Old Man´s Child, Krisiun, Nightrage, Engel, The Crown, Hatesphere, Amaranthe, Shaman, Within Y, Nachtmahr, Sonic Syndicate, Legion of the Damned, Ereb Altor, Lauren Harris, Kiara Rocks, Meridian Dawn, Angra, Musica Diablo, The Unguided, Dr. Sin, Almah, Evile, Holy Moses, Isole, Revolution Renaissance, Oficina G3, Angelus Apatrida, Secrecy, Peristaltic Movement, Stream of Passion, Sirenia, Century Media, Nuclear Blast, Sony Music, Massacre Records, Napalm Records, Victor/JVC, entre outros.


A exposição terá início no dia 1º de dezembro, no Hard Club (Porto, Portugal), e permanecerá no espaço durante todo o mês. Em paralelo um preview com algumas artes também ficará exposto na Piranha Record Store no mesmo período.


Mais detalhes nos sites:
http://www.abstrata.net/expo
http://www.facebook.com/gustavosazes
http://www.hard-club.com/
http://www.piranhacd.com/
 

Fonte: press release

Hellyeah cancela apresentação no festival Monsters of Rock

quarta-feira, outubro 16, 2013
Através de uma nota postada na página do festival, a organização do Monsters of Rock informou que a banda norte-americana Hellyeah cancelou a sua apresentação no evento devido a problemas pessoais dos integrantes.



Até o momento, o grupo não se pronunciou oficialmente sobre o motivo do cancelamento.

Por Ricardo Seelig

Novos boxes do Anthrax, Paul Simon, Grateful Dead, Tears for Fears e The Doors

quarta-feira, outubro 16, 2013
O fim de ano está chegando, e com ele diversos itens interessantes para incrementar as nossas coleções. Boxes reunindo álbuns clássicos do Anthrax desembarcam nas lojas, assim como uma completíssima retrospectiva da carreira de Paul Simon e itens apetitosos do Grateful Dead, Tears for Fears e The Doors.

Atualize a sua agenda de compras com os títulos abaixo:


Anthrax - Aftershock: The Island Years 1985-1990
Formato: box com 4 CDs
Lançamento: já disponível nas lojas

Paul Simon - The Complete Albums Collection
Formato: box com 15 CDs
Lançamento: já disponível nas lojas

Grateful Dead - Sunshine Daydream
Formatos: box com 3 CDs e 1 DVD, box com 4 LPs
Lançamento: já disponível nas lojas

Tears for Fears - The Hurting
Formato: box com 3 CDs e 1 DVD
Lançamento: 21 de outubro

The Doors - R-Evolution
Formatos: Blu-ray, DVD
Lançamento: 25 de novembro

Por Ricardo Seelig

Lamb of God divulga trailer do documentário As the Palaces Burn

quarta-feira, outubro 16, 2013
O Lamb of God divulgou o trailer do documentário As the Palaces Burn. O filme foi dirigido por Don Argott e mostra os bastidores da banda, a relação dos fãs com o grupo e tudo o que envolveu o julgamento do vocalista Randy Blythe, acusado de assassinato em 2012 em decorrência da morte de um fã em um show ocorrido na República Checa.

As the Palaces Burn - título também do terceiro álbum do Lamb of God, lançado em 2006 - estreará dia 20 de novembro no Festival Internacional de Documentários de Amsterdam, na Holanda.

Assista ao trailer abaixo:

 

Por Ricardo Seelig

15 de out de 2013

Especial Monsters of Rock: quais discos ouvir antes de ir ao festival

terça-feira, outubro 15, 2013
Após 15 anos, o festival Monsters of Rock está de volta. A quinta edição acontecerá neste fim de semana, nos dias 19 e 20 de outubro, na Arena Anhembi, em São Paulo, e terá duas datas bastante distintas. Enquanto o sábado é dedicado às sonoridades mais atuais do metal, com nomes como Gojira, Killswitch Engage e Slipknot, o domingo brindará os admiradores do hard rock mais festivo, com bandas como Ratt, Whitesnake e Aerosmith.

Para ajudar você que está indo ao Monsters, nossa equipe preparou um especial sobre as bandas que estarão no evento. Marcelo Vieira, Rodrigo Carvalho e Thiago Cardim escreveram a seis mãos um guia indicando qual álbum você deve ouvir de cada uma das quatorze atrações que tocarão no festival. O objetivo é indicar, para quem por ventura não conhece profundamente algum dos grupos, qual disco é o mais recomendado para entrar em seu universo. E, para quem já quer ir fazendo o esquenta para o Monsters, ouvir os quatorze álbuns abaixo, além de mostrar o melhor de cada atração, prepara o clima para a festa.

Os textos estão publicados na ordem em que as bandas subirão ao palco nos dois dias, começando com a primeira delas, Hellyeah, e encerrando com a última, Aerosmith. Aumente o volume e venha com a gente!


Hellyeah - Band of Brothers (2012)

O mais recente disco de estúdio do Hellyeah entrega exatamente o que se espera de um grupo formado pelo baterista do Pantera e pelo vocalista e pelo guitarrista do Mudvayne. Aliás, com mais foco no "metal" do que no "groove" da denominação groove Metal sob a qual são enquadrados, Band of Brothers tem mais peso do que os dois anteriores juntos. Você decide se isso é bom ou ruim. (por Thiago Cardim)


Gojira - The Way of All Flesh (2008)

A obra que abriu definitivamente as portas do mercado internacional – e em especial o dos EUA – para a sonoridade destes franceses. Há quem goste de classificá-los sob alcunhas indecifráveis como "technical death metal". Mas o que dá para dizer é que eles fazem metal extremo e moderno, sem medo de experimentar e de acrescentar novos elementos. Isso já seria o bastante, não? (por Thiago Cardim)


Hatebreed – Hatebreed (2009)

Altamente influenciado pela escola nova-iorquina de hardcore (incluindo aí os clássicos Biohazard e Agnostic Front), o Hatebreed não apenas soube lidar muito bem com a inclusão de elementos de outros estilos em sua sonoridade primordial ao longo dos anos, mas utilizou-se de todo o dinamismo para extrapolar algumas margens, garantindo excursões ao lado de nomes como Slayer, Napalm Death e Lamb of God. E a extrapolação desses limites praticamente atingiu o auge no seu auto-intitulado álbum, de 2009, que traz toques de thrash metal, heavy tradicional e metalcore de forma equilibrada em clássicos absolutos da banda como “Everyone Bleeds Now”, “Every Lasting Scar” e a indiscutível “In Ashes They Shall Reap”. (por Rodrigo Carvalho)


Killswitch Engage – Disarm the Descent (2013)

Que o Killswitch Engage é um dos pilares do metalcore é algo praticamente inquestionável, com o disco Alive or Just Breathing estabelecendo alguns dos parâmetros essenciais do estilo, que seriam repetidos à exaustão desde então. E talvez exatamente por isto Disarm the Descent seja um dos momentos mais importantes da carreira do grupo, que vê a volta de Jesse Leach, seu vocalista original, como a oportunidade não apenas para retomar o mesmo espírito do início da carreira, como aproveita toda a experiência adquirida durante esses anos para lançar um álbum aonde cada faixa tem a sua própria identidade, versáteis dentro da própria linha de raciocínio. Disarm the Descent pode facilmente ser colocado lado a lado a The End of Heartache (de 2004) como a obra essencial da banda, graças a clássicos instantâneos como “In Due Time”, “No End in Sight” e “All That We Have”. (por Rodrigo Carvalho)


Limp Bizkit - Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000)

Um time de nomes de peso do rock dos anos 1990 foi reunido para a produção do terceiro álbum de estúdio do Limp Bizkit. Saca só: Josh Abraham (cujo trabalho em The Gift of Game do Crazy Town — do hit "Butterfly" — repercutiu bonito na cena), Swizz Beatz (rapper, na época em começo de carreira, atual marido da cantora Alicia Keys), Terry Date (esse dispensa apresentações, na moral) e Scott Weiland (então vivenciando os últimos dias do seu Stone Temple Pilots), além de Fred Durst e DJ Lethal, as mentes pensantes (nem tanto) por trás do LB. Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (que em bom português significa "cu e porra) foi lançado em outubro de 2000 e na mesma semana pintou no topo da lista dos mais vendidos. Fama e fortuna caíam no colo de Fred e companhia à medida em que lançavam seus sempre polêmicos e engraçadíssimos clipes na ainda relevante, mas já moribunda, MTV. Entre os hits estão "My Generation", "My Way", "Rollin'" (que aparece em duas versões no álbum), "Boiler" e "Take a Look Around", tema do filme Missão: Impossível 2 e, em virtude disso, talvez a música mais conhecida da banda... até inventarem de regravar "Behind Blue Eyes", do The Who, alguns anos depois. (por Marcelo Vieira)


Korn – Issues (1999)

Lançado apenas um ano após o indescritível sucesso de Follow the Leader, o Korn viu em 1999 a sua popularidade pelo mundo crescer ainda mais com Issues, que ao mesmo tempo em que deixava grande parte dos lances hip hop de lado para incrementar a criação de uma atmosfera muito mais soturna, acabou por definir praticamente qual seria a base para todos os experimentos musicais que o grupo faria durante a década seguinte. A sobriedade trazida por Brendan O’Brien ao estúdio fez deles uma banda mais madura, mais detalhista, estabelecendo novos patamares para toda a nova vertente que eles estavam ajudando a construir, como pode ser ouvido em “Falling Away From Me”, “Somebody Someone” e “Beg For Me”. (por Rodrigo Carvalho)


Slipknot – Vol. 3: (The Subliminal Verses) (2004)

Que o Slipknot sempre foi uma banda de inúmeros conflitos internos, não é segredo pra ninguém. E se apenas agora eles estão finalmente demonstrando o mínimo de superação após a morte do baixista Paul Gray, em uma menor escala o grupo já havia chegado perto do fim logo após a bem sucedida turnê de seu segundo disco, Iowa. Depois de um relativamente longo hiato, do surgimento de vários projetos paralelos e de um período de instabilidade criativa, eis que a banda canalizou todos os seus problemas nas músicas que viriam a fazer parte de Vol. 3: (The Subliminal Verses), um álbum que simplesmente atingiu níveis até então inesperados. Afinal, toda a sonoridade catastrófica e atmosferas claustrofóbicas do grupo se personificaram aqui em um tom mais obscuro, melancólico, com a inserção de passagens mais melódicas, quase perturbadoras. Enquanto “Duality” e “Before I Forget” são músicas essenciais do heavy metal pós-2000, outras como “The Nameless” e as duas partes de “Vermillion” mostravam de uma vez por todas que o Slipknot ainda tinha, e muito, a acrescentar. (por Rodrigo Carvalho)


Dr. Sin - Dr. Sin (1993)

O álbum de estreia daquela que é a mais renomada banda de hard rock brasileira. Foi dele que saiu "Emotional Catastrophe", sua faixa de maior sucesso, queridinha da MTV, trilha da série Confissões de Adolescente. E foi com este disco que acabaram no palco de festivais como o Hollywood Rock e no primeiro Monsters of Rock, em 1994 – que trouxe Black Sabbath (com Tony Martin), Slayer e Kiss no line-up, entre outros. (por Thiago Cardim)


Dokken - Back for the Attack (1987)

O caminho foi longo até o Dokken obter o reconhecimento merecido junto ao público e a crítica especializada. O grupo estava prestes a completar dez anos de estrada quando lançou seu álbum de maior sucesso. Mas a história de Back for the Attack começou a ser escrita bem antes, com a inclusão de "Dream Warriors" na trilha sonora do filme A Hora do Pesadelo 3. A canção, um clássico indiscutível, é a prova máxima de que o Dokken finalmente havia encontrado a sonoridade ideal, algo que perambula entre a potência metálica de Tooth and Nail (1984) e o glam radio-friendly de Under Lock and Key (1985) — ainda que ambos possuíssem músicas que destoassem. Em Back for the Attack as composições chegaram a um novo patamar, com trabalhos de guitarra mais complexos (a instrumental "Mr. Scary", por exemplo) e Don Dokken elevando sua voz às alturas mais — e melhor — do que nunca. Depois de "Dream Warriors", foi a vez de sons como "Kiss of Death", "Heaven Sent" e "Burning Like a Flame" atingirem o grande público e o resultado não poderia ter sido melhor: 13º lugar nas paradas, turnê pelo Japão (onde seria gravado o ao vivo Beast from the East) e convite para participar da edição de 1988 do... Monsters of Rock - o original inglês, atualmente chamado de Download Festival! (por Marcelo Vieira)


Queensrÿche – Operation: Mindcrime (1988)

Ao mesmo tempo em que o Dream Theater é um dos responsáveis pelo estabelecimento do metal progressivo, é importante ter em mente que alguns anos antes certas bandas de hard rock sutilmente começaram a incluir em sua sonoridade elementos que seriam características determinantes da nova vertente. O ano de 1988 teve o lançamento de três obras seminais: Out of the Silent Planet (do King’s X), No Exit (do Fates Warning) e, o mais importante aqui, Operation: Mindcrime. Uma obra conceitual paranóica que deu continuidade ao caminho mais atmosférico e técnico iniciado no álbum anterior, Rage For Order, e estabeleceu o Queensrÿche de uma vez por todas na história do estilo, incluindo ao heavy metal o que o rock progressivo deixou de lado na virada para os anos oitenta. “Breaking the Silence”, “Eyes of a Stranger” e “Suite Sister Mary” explicam um pouco qual o motivo de este permanecer como um dos mais obrigatórios álbuns até hoje. Importante notar, aliás, que a turnê atual do Geoff Tate’s Queensrÿche foca principalmente neste disco e no seguinte, Empire. (por Rodrigo Carvalho)


Buckcherry - Buckcherry (1999)

Fique com o primeiro álbum dos californianos, uma estreia deliciosa, melódica e envolvente. É hard rock que sabe ser pesado na medida certa, mas flertando com o metal de maneira tão sutil que até quem não curte o estilo acaba se rendendo à curiosidade de ouvi-los. Destaque para a faixa de abertura, o grudento hit "Lit Up". (por Thiago Cardim)


Ratt - Out of the Cellar (1984)

A surpreendente vendagem de Metal Health (1983), do Quiet Riot, abriu os olhos das grandes gravadoras para grupos semelhantes que ralavam no underground em busca de visibilidade e uns trocados. A aposta da Atlantic Records foi o Ratt, cuja reputação e um EP homônimo (lançado em 1983) já percorriam as ruas de Los Angeles. Para a produção do que viria a ser a estreia do Ratt pela Atlantic, Doug Morris, presidente da gravadora, recrutou o ainda desconhecido Beau Hill. A parceria resultaria na impressionante marca de mais de 3 milhões de cópias vendidas e um muito bem-vindo 7º lugar no Top 200 da Billboard, e tanto o Ratt quanto Hill colheram os frutos do sucesso: a banda tornou-se uma das principais referências do hard rock dos EUA na década, e o produtor, um dos mais requisitados e bem pagos da época. Musicalmente, Out of the Cellar apresenta uma banda afiada cujos riffs de guitarra dissonantes, assinados por uma dupla acima da média, são o diferencial. Letras simples e diretas sobre o universo de Los Angeles (farra sem limites, garotas e até mesmo a hora em que dá merda) são entoadas com uma cretinice impagável por Stephen Pearcy, que mesmo longe de ser um cantor de primeira, tinha (e ainda tem) uma presença devastadora. Aqui está o maior clássico do Ratt, "Round and Round". (por Marcelo Vieira)


Whitesnake - Whitesnake (1987)

Para ser completamente justo, teríamos que colocar Slide It In (1984) ao lado deste disco. Mas o álbum auto-intitulado ainda vence por pouco, oferecendo a zeppeliana "Crying in the Rain", a poderosa e irresistível "Here I Go Again" e a balada roqueira suprema, que até hoje faz garotas de  todas as idades suspirarem, "Is This Love". Não tem como errar. Whitesnake na melhor forma. (por Thiago Cardim)


Aerosmith - Rocks (1976)

A principal atração do festival possui uma discografia tão extensa e inatacável que selecionar apenas um álbum para esta matéria é quase que uma tarefa hercúlea. Já são quatro décadas produzindo músicas memoráveis e inaugurando novos conceitos no rock. Cada álbum tem pelo menos um hit e não há um indivíduo que não saiba cantar ou embromar uma música ou outra. Mas enquanto os números apontam para uma direção, o meu gosto pessoal, amparado na influência que eu sei que esse álbum exerceu, aponta para outra. Rocks (1976) levou o rock do Aerosmith ao status de platina, fazendo a banda emplacar um disco após o outro nas paradas. Canções como "Back in the Saddle" e "Last Child" são referências do momento que a música dos EUA vivia e apresentam alguns elementos que dissociaram o Aerosmith do rótulo nefasto de "Rolling Stones dos pobres". Pense nas camadas de vocais sobrepostos, lideradas por um Steven Tyler ainda fresco, recém-saído do forno e sem tanta droga na veia, nos riffs de guitarra chupados de um velho mestre do blues e na sintonia que mantém o quinteto junto — às vezes aos trancos e barrancos — há tanto tempo. Rocks é muito mais do que um álbum clássico e campeão de vendas: é um guia de estilo para praticamente tudo que veio na cola de seu lançamento em termos de hard rock. (por Marcelo Vieira)


Por Ricardo Seelig, Marcelo Vieira, Rodrigo Carvalho e Thiago Cardim

Ouça “Duas de Cinco”, nova música de Criolo

terça-feira, outubro 15, 2013
Após o grande sucesso do álbum Nó na Orelha (2011), Criolo está de volta com material inédito. O rapper divulgou hoje em seu site oficial as músicas “Duas de Cinco” e “Cóccix-ência”. Ambas mantém o mesmo estilo apresentado no disco anterior, bem como as letras afiadas e cheias de críticas sociais e a sonoridade orgânica, que leva o rap ao encontro dos mais variados gêneros musicais.

O material está sendo lançado em um single em vinil de 12 polegadas, e pode também ser baixado no site do cantor.

Abaixo você assiste ao lyric vídeo de “Duas de Cinco” e ouve também “Cóccix-ência”:

 
Por Ricardo Seelig

14 de out de 2013

Collectors Room, 5 anos

segunda-feira, outubro 14, 2013
A Collectors Room comemorou cinco anos ontem, dia 13 de outubro. Para celebrar, não publicamos nada a respeito (rs). Brincadeiras à parte, como é de praxe aqui no site, tiramos os finais de semana para descansar, ainda mais nesse em especial, que foi decorado com o Dia das Crianças e a presença do Black Sabbath entre nós, brasileiros.

A Collectors nasceu pequenininha, e o seu crescimento se deu de maneira lenta, porém constante. Isso fez com que você que está aí do outro lado lendo essa matéria e que acessa o site todos os dias tenha se transformado em nossa companhia diária. Temos um público fiel, que conhece e se identifica com a maneira com que abordamos, entendemos e consumimos a música. Obrigado por nos dar essa audiência.

Ao longo destes cinco anos, muitas alegrias surgiram, conheci muitas pessoas, muita gente escreveu para o site, muitos também não quiseram mais seguir e alçaram vôos próprios. Resumindo, aconteceu muita coisa, e tudo o que rolou nos ensinou que o que deve estar acima de tudo é, e sempre será, a música.

Eu, como fundador e editor da Collectors Room, estou  muito feliz com o momento atual do site. Acho que temos uma das nossas melhores formações nesses cinco anos. Ao lado do Rodrigo, do Guilherme, do Marcelo, do Thiago e de todos que fazem parte da equipe, nos divertimos e saciamos a nossa sede incontrolável por música levando um pouco da paixão que move as nossas vidas até o dia a dia de vocês, nossos leitores.

Abraço, muito obrigado, e que, mesmo com o passar dos anos, que todos nós continuemos mantendo um olhar maravilhado em relação à música como o menino que estampa este post.

Por Ricardo Seelig

Black Sabbath (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 13/10/2013)

segunda-feira, outubro 14, 2013
Antes de qualquer coisa, esse texto não é uma crítica. Está muito mais para um testemunho de fé; algo que eu espero que os meus filhos — se um dia eu os tiver — leiam.

Domingo, 13 de outubro de 2013. Rio de Janeiro dividido em três facções bem definidas pelos eventos a serem realizados na data. Clássico do futebol carioca no Maracanã — apesar de que nas ruas só se via torcedores de um dos clubes, mas ok —, parada gay e show de heavy metal. Mas não se tratava de um show qualquer. Na verdade, há tempos não se via tanta mobilização por parte de tantos tipos diferentes. O que o Black Sabbath promoveu na noite do último domingo na Praça da ApoteOZZY ultrapassou todos os limites que podem ser agregados à palavra show. O velho encontrou o novo numa celebração ao gênero musical que conta com os adeptos mais fiéis e apaixonados. Lá estavam milhares e eu era mais um na multidão, um pixel. Mas nunca me senti tão importante como ontem. Se restava alguma dúvida de que o metal é algo que agrega, não resta mais. Na condição de religião do contraponto, o rock tem no Sabbath o alto clero. E na figura de Ozzy Osbourne, o papa.

Bastou o acorde inicial de "War Pigs" para os meus olhos ficarem marejados. Eu estava diante dos pais do heavy metal, essa criança rebelde. É aquilo: TUDO que veio depois teve origem com aqueles caras. Toda a estética do gênero é definida a partir do molde estabelecido por Ozzy, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, cuja falta eu duvido que tenha sido sentida ante a competência de Tommy Clufetos ao ocupar o banquinho mais desejado por qualquer baterista na face da Terra. Ao término da canção de abertura, pensei: "Sobrevivi". Mas será que durarei muito mais do que isso?




Durante aquelas duas horas, me senti como se estivesse assinando o meu nome no livro de visitas do inferno. O timbre da guitarra de Iommi, algo como uma curetagem na alma, misturado à pulsação sobrenatural do baixo de Butler, somados a um Ozzy cantando como há anos não se via e dando um show a parte com suas corridinhas, enfiando a cara num balde e até mesmo abocanhando um morcego de borracha, entregue por alguém da turma do gargarejo — que acabou voltando para casa de banho tomado, se é que vocês me entendem. Agora eu pergunto: se o próprio pai do heavy metal faz piada e leva todo mundo a rolar de rir por ser um completo sequelado, quem ousa dizer que rock e diversão não podem — e devem — andar de mãos dadas?

Quem achou satânica a performance do Ghost no Rock in Rio é porque, certamente, não faz a menor ideia da atmosfera macabra que tomaria conta da Praça da Apoteose durante a execução da música que dá nome à banda e ao álbum que corresponde ao Livro do Gênese do heavy metal. Todos os olhos vidrados na figura de Ozzy, o escolhido do demo, em interpretação aterrorizante e incrivelmente convincente. Quatro décadas mais tarde e mesmo após a queda de vários mitos com a verdade vindo à tona, a canção apavora. Fiquei estático diante daquele convite a ingressar no lado negro da força, e a sensação foi a mesma de quando eu ouvi aquilo pela primeira vez, há mais de uma década e, sem pestanejar, aceitei o convite. "N.I.B." firmou de vez o acordo com o tinhoso.




As canções de 13 foram estrategicamente inseridas no setlist, o que não evitou, entretanto, certo estranhamento. No DVD Live in Detroit, Peter Frampton mete a real: "Eu sei que vocês não gostam de ouvir músicas novas... mas nos dêem uma chance!". No fundo, é isso que fica subentendido sempre que um artista ou banda das antigas inclui novidades no repertório. Pois bem, a chance foi dada, e o arrependimento foi zero. "Age of Reason", "End of the Beginning" e "God is Dead?" funcionaram muito bem ao vivo. E se não foram festejadas como as clássicas, pelo menos, deixaram a certeza de que o círculo fora fechado em altíssimo nível. Não ficarei surpreso se a procura pelo álbum subir nos próximos tempos.

Apesar de o palco não apresentar nenhum adereço — vide Judas Priest e Iron Maiden, que apostam pesado nesse aspecto —, o que se via nos telões era praticamente literatura visual cujo roteiro seguia à risca a música tocada no momento: imagens de filmes B, assim como registros históricos de guerra e até mesmo uma miscelânea de erotismo em preto e branco e pin-ups durante "Dirty Women". Além dessa, outros sons mais obscuros foram resgatados, como "Under the Sun", "Into the Void" e "Behind the Wall of Sleep". A reta final incluiria ainda "Iron Man" e "Children of the Grave". A introdução de "Sabbath Bloody Sabbath" no bis acendeu o pavio do barril de pólvora que explodiu em "Paranoid", a última da noite, na forma de rodinhas e a impressão de que as arquibancadas viriam abaixo com tanta gente pulando ao mesmo tempo.

A história diz que o Black Sabbath inventou o heavy metal. O show deles me fez ter certeza que eles também inventaram o diabo. Nunca dizer "obrigado por tudo" fez tanto sentido.

Obrigado, Black Sabbath. Por tudo.


Por Marcelo Vieira

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