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Review: Saxon – Denim and Leather (1981)

Quarto álbum do Saxon, Denim and Leather não é apenas um dos maiores clássicos da New Wave of British Heavy Metal, mas também um dos melhores discos de heavy metal já gravados. Provavelmente o mais celebrado trabalho da banda inglesa, acaba de ser relançado em CD no Brasil pela Wikimetal/BMG em uma linda edição digipack que inclui nove faixas bônus e encarte com 24 páginas trazendo as letras e a história das gravações. Denim and Leather marcou o fim da formação clássica do Saxon e foi o último disco do baterista Pete Gill com o quinteto. Ele deixou o grupo devido a uma lesão, sendo substituído por Nigel Glockler, na banda até hoje. Gill entraria no Motörhead em 1984 e gravaria o álbum Orgasmatron (1986) com a banda de Lemmy Kilmister. Dois dos maiores clássicos do Saxon estão no disco. O primeiro é a faixa de abertura, o hino “Princess of the Night”, uma das músicas mais conhecidas da banda. O riff imediatamente identificável nos conduz por uma composição absolutamente perfeita,...

Quadrinhos: O Grande Poder do Chninkel, de Jean Van Hamme e Grzegorz Rosinski (2024, Comix Zone)

É desconcertante a forma como O Grande Poder do Chninkel une influências bíblicas, de O Senhor dos Anéis e de 2001 - Uma Odisseia no Espaço em uma fantasia teológica que conquistou o público desde a sua publicação original, em 1986, na França. Escrita por Jean Van Hamme e ilustrada por Grzegorz Rosinski, a dupla criadora do celebrado Thorgal , a HQ apresenta um mundo que vive em conflito há séculos. O personagem principal é Jon, da raça dos chninkels, espécie de hobbits desse mundo. Assim como Frodo, Jon é o escolhido para a missão que vai transformar a sua realidade e fazer surgir um mundo mais justo para todos. Mas, até alcançar o seu objetivo, viverá uma aventura repleta de momentos épicos e, neste caso, até mesmo cômicos. Há uma certa relação com Em Busca do Pássaro do Tempo , também publicada pela Comix Zone neste ano, no sentido de a história apresentar elementos mais sensuais em alguns momentos. A epopéia de Jon também tem ligação com a saga de Jesus Cristo, com desafios e pr...

Review: Saxon – Saxon (1979)

Os álbuns pesados lançados no final dos anos 1970 possuem um frescor que permanece até hoje, notadamente os primeiros registros da New Wave of British Heavy Metal. É o caso do disco de estreia do Saxon, que chegou às lojas inglesas em maio de 1979. O álbum havia saído no Brasil apenas em LP em 1983, e finalmente ganhou a sua primeira edição em CD pela Wikimetal/BMG em formato digipack e trazendo oito músicas extras. Na época a banda era formada por Biff Byford (vocal), Graham Oliver (guitarra), Paul Quinn (guitarra), Steve Dawson (baixo) e Pete Gill (bateria). A produção, assinada por John Verity, capturou o quinteto entregando energia e tesão em doses quase palpáveis, e o resultado é um disco que já mostrava o grande potencial que o Saxon alcançaria nos anos seguintes. A sonoridade, em alguns momentos, se aproxima de algo como uma espécie de demo tape muito bem produzida, e eleva o charme do registro. É interessante perceber como as músicas caminham entre o hard rock já consolidad...

Review: Torches of Nero – Mokk (2023)

Mokk é o primeiro EP da banda gaúcha de black metal Torches of Nero, e foi lançado em 2023. Natural de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul, o trio faz aqui um tributo à banda australiana Sadistik Exekution e ao seu vocalista Rok. Os australianos surgiram em 1985 e, ainda que tenham dado declarações de que não gostariam de ser classificados como black metal, influenciaram não apenas a lendária cena extrema escandinava do início da década de 1990 como também formações de todo o planeta, como mostra este EP do Torches of Nero. O disco vem com seis faixas e não traz nenhuma versão para canções dos australianos, mas sim composições originais do trio brasileiro obviamente inspiradas no Sadistik Exekution, porém apresentando também influências de outros nomes como Venom, Vulcano, Celtic Frost e Rotting Christ. A sonoridade é bastante crua e com uma abordagem mais old school, entregando um black metal que foca no período inicial do gênero. O grande destaque é o vocalista, guita...

Quadrinhos: Karmen, de Guillem March (2023, Darkside)

Karmen é uma história sobre a vida. A vida como essência do que somos - literalmente. É também uma história sobre solidão e existir. Se nos isolamos do mundo e buscamos não nos relacionar com os que estão ao nosso redor, estamos existindo de fato? Estamos realmente vivendo? É algo a se pensar. E a HQ do espanhol Guillem March nos faz pensar sobre várias coisas. Na história conhecemos Catalina, uma garota linda, sonhadora e apaixonada. E que acabou de tirar a própria vida. Conhecemos também Karmen, uma espécie de enviada dos deuses cuja função é conduzir Catalina para o próximo nível de sua existência. O texto de March é carregado de simbolismo, filosofia, existencialismo e até mesmo física quântica. Mas não assusta: mesmo abordando temas bastante complexos e considerados tabus, consegue fazer isso sem pesar a mão. Muitas vezes, inclusive, o roteiro entrega momentos de humor, além de cinismo e autoironia. Já a arte é não menos que incrível. Expressiva e com cores magistrais, constrói u...

Quadrinhos: Poulbots, de Patrick Prugne (2024, Taverna do Rei)

As HQs nos apresentam uma gama enorme de histórias que vão desde as épicas batalhas vividas pelos super-heróis até relatos do cotidiano. Poulbots é um desses quadrinhos surpreendentes, pois sua leitura nos leva a um recorte muito específico. A história se passa em uma das regiões mais pobres da Paris do início do século XX, e conta como era o dia a dia de garotos que tinham quase nada para viver, apenas seus sonhos e aventuras. Esses meninos foram batizados de "poulbots" em alusão ao ilustrador Francisque Poulbot, que publicava seus trabalhos nos jornais da época e retratou inúmeras vezes as situações vividas pelos garotos, que às vezes eram engraçadas e curiosas, e outras tantas eram tristes e trágicas. Patrick Prugne faz uma homenagem tanto a Poulbot quanto aos seus "poulbots", em uma HQ que alterna momentos de diversão com passagens mais sensíveis, tudo colocado em um nível artístico elevado com arte pintada e um roteiro bem desenvolvido. A HQ foi publicada pela...

Review: Flotsam and Jetsam – No Place for Disgrace (1988)

Segundo álbum do Flotsam and Jetsam, No Place for Disgrace também foi o primeiro disco da banda após a saída do baixista Jason Newsted, que deixou o grupo em 1986 para substituir o falecido Cliff Burton no Metallica. Em seu lugar entrou Troy Gregory, que permaneceria até 1991. Como curiosidade, vale mencionar que Jason consta como coautor de três faixas: a música título, “N.E. Terror” e “I Live You Die”. Produzido por Bill Metoyer e pela própria banda e lançado em 20 de maio de 1988, foi a estreia do Flotsam and Jetsam na Elektra, após o debut, Doomsday for the Deceiver (1986), ter saído pela Metal Blade. Liricamente, trata-se de um trabalho com letras que abordam temas mais sombrios focados em história, literatura, ocultismo e satanismo. Nos anos subsequentes a banda mudaria o tom do seu discurso e passaria a escrever sobre política e cotidiano, mas neste segundo álbum eles seguiram o caminho apresentado na estreia. A produção é claramente melhor que a do primeiro álbum, fazendo co...

Quadrinhos: Pocahontas, de Patrick Patrick Prugne (2024, Taverna do Rei)

A figura de Pocahontas é conhecida do público por duas fontes principais: a animação da Disney e os relatos do explorador inglês John Smith. Porém, ambos contam uma história bastante diferente sobre o que realmente aconteceu com a lendária nativa norte-americana. A bela indígena era filha do chefe de uma grande tribo localizada onde hoje está o estado da Virgínia, e nasceu no final do século XVI. Esse é o ponto de partida da HQ escrita e ilustrada por Patrick Prugne, que se propõe a contar uma história o mais próxima possível da realidade. Na época, os Estados Unidos viviam um período de exploração por vários países europeus, e a história de Pocahontas se relaciona com a chegada dos ingleses na América. O grupo de exploradores desembarca no território Powhatan, e a relação com os nativos não foi das mais amigáveis inicialmente. Pocahontas, tratada como princesa por seus pares, teve papel central na construção de um relacionamento mais amistoso com os estrangeiros, e isso a levou a se a...

Review: Immolation – Dawn of Possession (1991)

Surgido durante o final dos anos 1980 e início da década de 1990, o death metal revolucionou o metal ao entregar novos níveis de peso e agressividade, e também por fazer isso com uma pegada super técnica. Uma das bandas pioneiras do gênero foi o Immolation. Formada em Nova York em 1986, estreou somente em 1991 com Dawn of Possession , álbum recém lançado pela Wikimetal e que era inédito por aqui. O disco foi o único da carreira do quarteto a sair pela Roadrunner. A produção, assinada pelo alemão Harris Johns (Helloween, Kreator, Ratos de Porão), soa ainda atual, com timbres densos e os instrumentos soando claramente. O álbum traz dez faixas e é um clássico dos primeiros anos do death metal, sendo fundamental para estabelecer os caminhos pelos quais o estilo se desenvolveria e se tornaria, quase que instantaneamente, em um dos mais populares entre os fãs de som pesado. Centrado desde sempre na dupla Ross Dolan (vocal e baixo) e Robert Vigna (guitarra), o Immolation já soava impressi...

Quadrinhos: Diário Inquieto de Istambul, de Ersin Karabulut (2024, Comix Zone)

Diário Inquieto de Istambul é a autobiografia do quadrinista turco Ersin Karabulut, autor apresentado ao público brasileiro pela Comix Zone através de dois títulos excelentes, Contos Ordinários de uma Sociedade Resignada e Até Aqui Tudo Ia Bem . O título, que é o mais recente trabalho de Ersin, acaba de ser publicado por aqui pela editora. Assim como nas duas HQs que o tornaram conhecido no Brasil, Diário Inquieto de Istambul conta a história que se propõe ao mesmo tempo em que relata a situação política e a realidade da Turquia, um país singular localizado na fronteira entre o ocidente e o oriente. Essa característica parece ser indissociável na obra de Karabulut e enriquece muito a sua narrativa, pois nos permite conhecer um cotidiano extremamente contrastante, marcado por disputas religiosas e visões de mundo que se opõe há centenas de anos. É bom lembrar que Istambul, antes de ser rebatizada com o seu nome atual em 1930, era conhecida como Constantinopla, capital de inúmeros i...