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Lois Lane vs. fake news

É comum apontar como principal diferença entre os universos DC e Marvel o distanciamento da realidade percebido de forma mais evidente na DC Comics e em níveis menores na Marvel, com a primeira retratando deuses e a segunda mostrando personagens mais próximos dos leitores – não por acaso, as histórias da DC se passam em cidades fictícias como Gotham e Metropolis, enquanto as da Marvel são vividas em Nova York e outras metrópoles do mundo real. Mas isso não quer dizer que a DC não retrata a realidade em suas HQs, muito pelo contrário. Um dos maiores exemplos é Gotham DPGC , série escrita pela dupla de roteiristas Greg Rucka e Ed Brubaker focada nos policiais de Gotham e em como eles fazem o seu trabalho vivendo na mesma cidade do Batman e que é habitada por uma das mais conhecidas galerias de vilões dos quadrinhos. Um dos autores da série, Greg Rucka, voltou a um tema semelhante em Lois Lane: Inimiga do Povo , mas agora abordando sobre outro tema recorrente da atualidade: o jornalismo...

Blur une emoção e profundidade em The Ballad of Darren

A melancolia pode ser uma inspiração. O Blur mostrou isso durante toda a sua carreira, transformando sentimentos não tão positivos em lindas canções. E essa abordagem parece dar o tom de The Ballad of Darren , primeiro álbum da banda britânica em oito anos e sucessor de The Magic Whip (2015). A sonoridade é melancólica e contemplativa na maioria das canções, quase funcionando como uma trilha sonora para tudo que aconteceu no mundo desde 2020. Damon Albarn, vocalista, líder e principal compositor, adorna a música do Blur com influências de nomes lendários como Lou Reed e referências mais contemporâneas como Radiohead, porém sem jamais perder o apelo pop que faz parte da identidade do grupo. O nono álbum do quarteto apresenta dez canções na edição normal e mais duas na versão deluxe, que foi a lançada no Brasil pela Warner. A edição em mídia física é linda, com um CD em embalagem quadrada no formato mini vinil e encarte acoplado, com quatorze páginas trazendo todas as letras. Além dis...

Deixando os excessos em segundo plano, Edu Falaschi acerta em cheio em Eldorado

Edu Falaschi fez um movimento certeiro ao se reinventar e abraçar o power metal sem restrições em Vera Cruz (2021), álbum que, por mais que tenha gerado algumas críticas negativas (e é bom frisar que elas vieram, em grande parte, de quem não consome o chamado “metal melódico”, termo pelo qual o power metal fico conhecido no Brasil durante os anos 1990 e 2000), trouxe o ex-vocalista do Angra novamente para os holofotes e relançou sua carreira após um período conturbado e cheio de problemas pessoais. Eldorado , novo álbum de Falaschi, vai na mesma linha, mas dá um passo além. Acompanhado pela mesma excelente banda que gravou o disco anterior – os guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra, o baixista Raphael Dafras, o tecladista Fábio Laguna e o baterista Aquiles Priester -, Edu entrega a segunda parte de uma trilogia de discos conceituais que fala sobre o “descobrimento” e exploração da América Latina. Enquanto Vera Cruz apresentou a história e foi ambientado no Brasil dos anos 1500,...

As biografias definitivas do Black Sabbath

O canadense Martin Popoff é um dos mais respeitados e produtivos escribas especializados em heavy metal, com uma lista de livros a respeito de grandes nomes da música que impressiona. São tantos títulos escritos por Popoff que é até difícil definir com precisão o número exato de obras que ele já publicou, mas, muito além da quantidade, o que conta é que o conhecimento aplicado por Martin em sua produção bibliográfica faz com que valha a pena mergulhar na leitura de seus textos. Entre todo esse universo, uma das melhores obras disponíveis é a dobradinha dedicada ao Black Sabbath: Sabotage – Black Sabbath nos Anos 70 e Born Again – Black Sabbath nos Anos 80 & 90 . Publicados originalmente em 2018, ambos os livros ganharam edições brasileiras pela editora Estética Torta, e são, sem exagero, as biografias definitivas dos pais do heavy metal. É preciso dizer que as edições nacionais possuem um acabamento gráfico muito superior, em todos os sentidos, às originais gringas. Pra começ...

Crypta mostra evolução e aprimora sonoridade em segundo álbum

A Crypta chega ao seu segundo álbum já consolidada como uma das bandas mais promissoras do metal mundial. Sim, o impacto – e a representatividade - do quarteto formado por Fernanda Lira (vocal e baixo), Tainá Bergamaschi (guitarra), Jéssica di Falchi (guitarra) e Luana Dametto (bateria) desde o início foi muito além das fronteiras brasileiras, em grande parte pelo excelente trabalho da gravadora austríaca Napalm Records, que levou a música poderosa da banda ao público de todo o mundo. Shades of Sorrow mostra uma grande evolução em relação ao disco de estreia, o ótimo Echoes of the Soul (2021), com o grupo soando ainda mais técnico, em um upgrade que passa pela experiência da estrada e pela adição da excepcional Jéssica di Falchi no lugar de Sonia Anubis. A produção também mudou de mãos, com Rafael Augusto Lopes assumindo o lugar de Thiago Vakka, enquanto os ótimos Daniel Bergstrand e Jens Borgen assumiram a mixagem e masterização, respectivamente. O álbum foi gravado em fevereiro n...

Electric Mob: a banda brasileira que todo mundo deveria estar ouvindo

Alguns fatos fazem do Electric Mob uma banda impressionante. O vocalista Renan Zonta  é um deles. Dono de uma das melhores e mais potentes vozes do rock brasileiro, é um cara que você fica de queixo caído no primeiro verso que sai de sua garganta. Os demais integrantes são igualmente excelentes, com o trio Ben Hur Auwarter (guitrarra), Yuri Elero (baixo) e André Leister (bateria) entregando uma performance irretocável. Outros pontos estão na qualidade excepcional do hard rock do quarteto curitibano, que é muito acima da média e rivaliza com os principais nomes do gênero mundo afora. Mas o mais impressionante de tudo é que praticamente ninguém fala do Electric Mob no Brasil. Fãs, colecionadores, mídia: todo mundo parece desconhecer ou ignorar a banda. Uma simples audição do som dos caras já mostra o quanto isso é um erro. O grupo estreou em 2020 com Discharge ( leia a resenha aqui ) e soltou o seu segundo álbum este ano. 2 Make U Cry & Dance saiu em CD pela Wikimetal com enc...

Rival Sons retorna diferente em Darkfighter, e essa é uma excelente notícia

O Rival Sons chega ao seu oitavo álbum tendo uma tarefa ingrata: superar a sua obra-prima. Feral Roots (2019), disco anterior dos californianos, é o melhor trabalho do grupo e colocou a banda de vez entre os grandes nomes surgidos no rock na última década. O passo seguinte foi dividido em dois capítulos: Darkfighter , lançado em 2 de junho, e Lightbringer , que chegará no final do ano. Agora oficialmente um quinteto com a efetivação do tecladista Todd Ogren – que desde 2014 acompanha a banda nos shows -, o Rival Sons segue mostrando porque alcançou o status que atingiu. Como todos os álbuns da banda, a força do disco já fica evidente na primeira audição, mas quanto mais nos habituamos com as canções, mais elas crescem. “Bird in the Hand”, por exemplo, é uma das mais fortes e possui um refrão que não sai tão fácil da cabeça. “Bright Light” mostra a banda ampliando a sua sonoridade em uma canção que vai muito além do hard rock com elementos de blues, e se revela uma faixa com a cara d...

Ghost mostra porque é especial no excelente EP Phantomime

O Ghost aprendeu tudo com as grandes bandas da história, e aplica esse aprendizado não apenas na sua música. Bandas como Iron Maiden, por exemplo, foram pródigas em lançar material adicional nos lados B de seus singles durante as décadas de 1980 e 1990, músicas essas que eram predominantemente covers dos grupos que inspiraram a banda e eram encontradas apenas nos singles. Elas seriam reunidas anos depois no CD duplo Best of the ‘B’ Sides , lançado em 2002 no box Eddie’s Archive , que traz os também duplos BBC Archives e Beast Over Hammersmith . Os EPs do Ghost seguem essa receita do Maiden à risca. São três até agora: If You Have Ghost (2013, com versões para canções do ABBA, Depeche Mode e outros), Popestar (2016, que inclui releituras para Echo & The Bunnymen e Eurythmics) e Phantomime , o mais recente. Lançado em maio, vem com cinco faixas, todas elas covers: “See No Evil” (Television), “Jesus He Knows Me” (Genesis), “Hanging Around” (The Stranglers), “Phantom of the Opera” ...

Reinkaos, a despedida de Jon Nodveidt e do Dissection

Desde a sua fundação, em 1989, o Dissection sempre chamou a atenção tanto da crítica quanto dos fãs. O som era único, um black/death cheio de melodia e que cativou adeptos imediatos. Os problema extramusicais que levaram seu líder e principal compositor, o vocalista e guitarrista Jon Nodveidt, a passar sete anos (1997 a 2004) na prisão pelo assassinato de um homossexual pareciam superados quando Nodveidt deixou o cárcere e, consequentemente, a banda retomou as atividades. Uma nova formação foi efetivada, shows foram realizados, o grupo sentiu novamente o contato com público e colocou o DVD Rebirth of Dissection nas lojas em 2006 e, ainda naquele ano, finalmente lançou o seu terceiro álbum, Reinkaos , sucessor do clássico Storm the Light’s Bane (1995) e do debut The Somberlain (1993). Tudo parecia tranquilo quando, sem aviso, os fãs e a mídia foram surpreendidos com a notícia do suicídio de Jon Nodveidt, ocorrido em agosto de 2006. O impacto da morte de Nodveidt teve como conse...

Echoes of the Soul, a notável estreia da Crypta

Não sei explicar o motivo, mas eu tenho um delay no meu consumo de música, e ele se manifesta de uma maneira curiosa: quanto todo mundo está falando de um álbum ou uma banda, eu instintivamente me afasto daquele disco e daquele artista. Traduzindo: eu fujo do hype, mesmo não sabendo por que. Até que, por algum motivo geralmente aleatório, o interesse finalmente me fisga e eu vou ouvir aquilo que todo mundo já ouviu. Isso já aconteceu muitas vezes, e o exemplo mais recente ocorreu com a Crypta. Com a separação da Nervosa, a banda se dividiu em duas: a própria Nervosa anunciou uma nova formação excelente e lançou o ótimo Perpetual Chaos em 2021 (e acabou implodindo mais uma vez um tempo depois e passando por inúmeras alterações no line-up desde então ), enquanto Fernanda Lira e Luana Dametto anunciaram a criação de uma nova banda, batizada como Crypta. As duas, mais as guitarristas Tainá Bergamaschi e Sonia Anubis, gravaram e lançaram Echoes of the Soul , seu álbum de estreia, também ...