2 de set de 2011

Ryan Adams, Iron Maiden e o radicalismo imbecil

sexta-feira, setembro 02, 2011


Por Ricardo Seelig

O fã de heavy metal se comporta como se fosse dono de uma reserva de mercado. Como se o som que ele ouve e gosta fosse um privilégio digno de poucos. Na sua cabeça, apenas os escolhidos podem ter a dádiva de ouvir o metal pesado. Uma grande besteira, como você bem sabe.

Esse pensamento limitado faz surgir situações pitorescas de tempos em tempos. Uma das principais ocorre quando um artista que não tem nada a ver com o heavy metal decide gravar uma versão para algum clássico do estilo. Nesse momento, a frase “não ouvi e não gostei” passa a ser o padrão entre os headbangers. E a desinformação sobre o “corajoso” que teve a “audácia” de se meter em um estilo que “não é seu” beira o risível.

O caso mais recente nesses moldes envolveu Ryan Adams e o Iron Maiden. Ryan – e não o choroso Bryan Adams, que fique bem claro – é um dos mais respeitados compositores contemporâneos norte-americanos. O início de sua carreira se deu no Whiskeytown, banda que liderou na segunda metade dos anos 90 e foi um dos responsáveis por dar forma ao chamado alt-country – ou country alternativo -, atualização do tradicional gênero norte-americano com uma aproximação muito interessante com o rock. Ao lado do Whiskeytown Ryan gravou ao menos um álbum clássico, Stranger's Almanac, lançado em 29 de julho de 1997.

A banda acabou e Adams deu início a uma prolífica e elogiada carreira solo. Seu primeiro disco, Heartbraker, que chegou às lojas em 5 de setembro de 2000, é um dos melhores trabalhos do novo milênio. O segundo, Gold (2001), é o meu preferido, uma trilha-sonora perfeita para corações partidos que buscam recomeçar a vida. Recomendo também o bom Easy Tiger, de 2007.



Pois bem. Ryan Adams sempre foi um fã de hard rock e heavy metal e nunca escondeu isso. A contracapa de Gold traz duas crianças usando a maquiagem do Kiss. O próprio cantor é fotografado frequentemente usando camisetas de suas bandas preferidas, e uma delas é o Iron Maiden, grupo que tem uma das legiões de fãs mais fiéis – e também mais chatas – da música pesada. E foi justamente do catálogo do grupo de Steve Harris e Bruce Dickinson que Ryan Adams resolveu pinçar uma canção e fazer a sua versão. E o resultado ficou excelente.

A releitura de Adams para a belíssima “Wasted Years”, a melhor composição da carreira do guitarrista Adrian Smith, é arrepiante. Tocada de forma acústica e com a interpretação particular de Ryan, “Wasted Years” teve seu lirismo e melodias ainda mais evidentes, mostrando, de novo e mais uma vez, que uma boa canção sempre será uma boa canção, independente do arranjo que se dê a ela.

Nesse ponto, voltamos lá para o primeiro parágrafo. É claro que a ótima versão de Ryan Adams irritou os fãs do Iron Maiden. Uma minoria curtiu, mas a maioria veio com o discurso pronto de “quem é esse caipira que está estragando o Iron Maiden”? Radicalismo burro de pais de família balzaquianos e gorduchos que se acham os donos da verdade, mas na verdade não passam de eternos adolescentes espinhudos tardios. Já disse aqui e repito: a qualidade de uma música não está limitada ao seu gênero. Existe música boa e ruim em todos os estilos, que o digam Iron Maiden, Ryan Adams, Wilco, Led Zeppelin e outros de um lado, e aberrações adoradas por quarentões que vivem em um país tropical vestidos em coladas calças de couro como Manowar, Poison e afins.

Li até comparações da trajetória de Ryan Adams com a de ícones da música country norte-americana como Garth Brooks e Billy Ray Cyrys, o que é um devaneio sem sentido que só poderia ter saído da mente de alguém sem o menor conhecimento sobre a carreira de Adams.

A música é bela, e é de todos. Qualquer um pode fazer o que quiser com ela. E mais: a vida sem música é muito menos interessante. Então, ao invés de viver seguindo os dogmas de um estilo que, em certos aspectos, tem mais regras que uma religião extremista, relaxe e deixe a música levar você através das sensações que ela pode proporcionar. E, nesse aspecto, a versão de “Wasted Years” de Ryan Adams é daquelas gravações acolhedoras que confortam os dias ruins, acalmam os ânimos exaltados e aquecem os corações solitários.

Ouça abaixo e seja feliz:

1 de set de 2011

Dream Theater: crítica do álbum 'A Dramatic Turn of Events' (2011)

quinta-feira, setembro 01, 2011

Por Ricardo Seelig

Nota: 9

Mudanças de formação são sempre complicadas. No caso do Dream Theater, a coisa foi ainda mais séria. Com a saída de Mike Portnoy, a banda perdeu não apenas o seu baterista, mas principalmente a força motriz e a mão controladora que conduziram o grupo ao topo do prog metal. Além disso, Portnoy foi o responsável por definir o papel da bateria dentro do metal progressivo, com seus andamentos quebrados, velocidade, precisão, quebras constantes e tempos incomuns sendo adotados como padrão.

Estilisticamente, há uma aproximação maior com o rock progressivo em A Dramatic Turn of Events, ao contrário dos últimos álbuns da banda. Produzido pelo próprio Petrucci, o disco é longo, com quatro de suas nove faixas durando mais de dez minutos. Ou seja: se você não é fã do Dream Theater, não é com esse álbum que você passará a ser. Agora, se você curte o som da banda, prepare-se para ouvir um de seus melhores trabalhos.

Algumas características são bem marcantes em A Dramatic Turn of Events. Em primeiro lugar, nunca houve tanta melodia em um disco do Dream Theater como aqui. Há uma presença maior do teclado de Jordan Rudess, que emerge como a principal força criativa do grupo, ao lado de John Petrucci. O peso dos riffs da guitarra de Petrucci também se destaca. E, fechando, um surpreendente e até então inédito clima épico surge em algumas composições, levando a música do grupo para terrenos inesperados.

Mas o ponto que todos querem saber é como Mike Mangini se integrou ao grupo, certo? A resposta é simples e direta: da melhor forma possível. Dono de uma técnica absurda, o novo baterista do Dream Theater parece fazer parte da banda há tempos, não deixando a falta de Mike Portnoy emergir. Se havia alguma dúvida sobre a capacidade de Mangini em substituir o antigo dono da banda, ela se desfaz ao final da audição.

A Dramatic Turn of Events é um álbum feito sob medida para aqueles fãs que curtem as composições mais instrincadas da carreira do Dream Theater, repletas de longas passagens instrumentais elaboradíssimas. Faixas como “Lost Not Forgotten”, “Bridges in the Sky”, “Outcry” e “Breaking All Illusions” estão repletas de momentos assim. O que se ouve é uma espécie de mistura do que a banda fez nos álbuns Awake e Scenes from a Memory, dois dos pontos mais altos da discografia do quinteto.

Entre as faixas, o maior destaque é a sensacional “Breaking All Illusions”, com status de novo clássico. “Build Me Up, Break Me Down”, com seu início com elementos eletrônicos e uma clara influência do Muse, também chama a atenção. Mas é quando o grupo resolve focar naquilo que sabe e faz como ninguém que o disco cresce assustadoramente. O prog metal puro e do mais alto gabarito é a marca principal de “Lost Not Forgotten”, “Bridges in the Sky” e “Outcry”, além da já citada “Breaking All Illusions”, a melhor do disco. Entre as faixas mais calmas, “This is the Life” é uma prima próxima de “The Spirit Carries On”, e a bela “Beneath the Surface” fecha o álbum com classe e bom gosto.

A saída de Portnoy e a entrada de Mangini mexeram positivamente com o Dream Theater, tirando a banda de sua zona de conforto e levando os músicos a se desafiarem mutuamente. O som do grupo surge renovado em A Dramatic Turn of Events, refrescante como há tempos não soava.

Ao lado de Images and Words (1992), Awake (1994) e Scenes from a Memory (1999), o melhor disco do grupo.


Faixas:
  1. On the Back of Angels
  2. Build Me Up, Break Me Down
  3. Lost Not Forgotten
  4. This is the Life
  5. Bridges in the Sky
  6. Outcry
  7. Far From Heaven
  8. Breaking All Illusions
  9. Beneath the Surface

As matérias mais lidas em agosto na Collector´s Room

Black Country Communion: saiba como é o DVD 'Live Over Europe'

quinta-feira, setembro 01, 2011

Por Ricardo Seelig

O Black Country revelou como será o seu aguardado primeiro DVD. Live Over Europe chegará às lojas dia 24 de outubro e, além da bela capa, contém um recheio de dar gosto.

O pacote conta com dois DVDs (a versão em Blu-ray será disponibilizada em 15/11) e traz dezoito canções gravadas em três cidades alemãs – Hamburgo, Munique e Berlin – com nada mais nada menos que 14 câmeras. O tracklist é composto por músicas dos dois únicos discos do quarteto – Black Country (2010) e 2 (2011) -, mais a já tradicional versão para a clássica “Burn”, do Deep Purple.

Produzido por Kevin Shirley e com um longo encarte de 28 páginas repleto de fotos e informações, Live Over Europe tem como bônus um documentário de 20 minutos sobre a turnê e galeria de imagens da tour.

Confira abaixo o tracklist:

  1. Revolution of the Machine
  2. Black Country
  3. One Last Soul
  4. Crossfire
  5. Save Me
  6. The Battle for Hadrian's Wall
  7. Beggarman
  8. Faithless
  9. Song of Yesterday
  10. I Can See Your Spirit
  11. Cold
  12. The Ballad of John Henry
  13. The Outsider
  14. The Great Divide
  15. Sista Jane
  16. Man in the Middle
  17. Burn
  18. Smokestack Woman

Bônus:

  1. Forging BCC – The Making of Live Over Europe
  2. Photo Collection – Live on Tour
  3. Photo Collection – Behind the Scenes

Dream Theater, dá um tempo!

quinta-feira, setembro 01, 2011

Por Ricardo Seelig

A estratégia do Dream Theater de liberar trechos das músicas de seu aguardado novo álbum, A Dramatic Turn of Events, de tempos em tempos na mídia, revelou-se uma das mais irritantes dos últimos tempos. Esses pedaços soltos, ao invés de despertarem a atenção para o disco – ok, os primeiros até cumpriram esse papel -, na verdade se mostraram mais como antecipações desnecessárias do que qualquer outra coisa.

É mais ou menos como você comprar um chocolate para uma criança, deixar ela dar uma mordida e guardar o resto: não funciona. Seria muito mais eficaz o grupo liberar um single completo de uma vez, saciando a curiosidade dos fãs, do que ficar nos pentelhando – sim, eu sou um fã da banda e me sinto exatamente assim – com esses trechinhos que não levam a lugar nenhum. A razão é simples: em um grupo como o Dream Theater, o pai do prog metal – queira você ou não -, o que significam meros 60 segundos de uma faixa? Todo mundo sabe que a sonoridade da banda é construída sobre canções longas e repletas de mudanças de andamento e climas, então ficar lançando pedacinhos de faixas inéditas na web que no final não representam praticamente nada, já que não dá para assimilar que caminho a banda está desbravando em cada composição, não leva a lugar nenhum.

Pensando bem, leva a um lugar sim. Ouvindo essas faixas em conta-gotas dá para perceber ao menos uma coisa: Mike Mangini, pelo jeito, assumiu o posto de Mike Portnoy com imensa autoridade, não deixando saudades do antigo baterista e outrora dono do grupo, o que é um bom sinal.

A boa notícia é que A Dramatic Turn of Events tem data de lançamento marcada para o próximo dia 13 de setembro, o que quer dizer que o suplício está chegando ao fim e que nos próximos dias o álbum cairá na rede. Até lá, é torcer não só para que o Dream Theater pare de liberar esses inúteis pedaços de músicas, mas também para que outras bandas percebam o quão furada foi essa estratégia do quinteto.

Death: 'Individual Thought Patterns' relançado em edição tripla

quinta-feira, setembro 01, 2011

Por Ricardo Seelig

E segue firme e forte o culto a Chuck Schuldiner, um dos músicos mais influentes e inventivos da história do heavy metal. Individual Thought Patterns, quinto álbum do Death lançado originalmente em 30 de junho de 1993, voltará às lojas dia 25 de outubro em uma suculenta edição tripla.

Todas as faixas foram remixadas por Alan Douches, incluindo um segundo CD com faixas demos e um terceiro com um show gravado na Alemanha em 1993, durante a tour do álbum. Além disso, foram incluídas no pacote também três faixas contendo riffs inéditos de Chuck.

Essa nova edição de Individual Thought Patterns estará disponível em uma luxuosa edição tripla, em uma edição dupla em embalagem comum, e também em formato digital.

Se você ficou com água na boca, o disco já está em pré-venda aqui.

31 de ago de 2011

Como escrever sobre música?

quarta-feira, agosto 31, 2011

Por Ricardo Seelig

Recebo diversos e-mails me pedindo dicas sobre como escrever sobre música. Não sei se sou a pessoa mais indicada para responder, então vou contar a minha experiência sobre o assunto, que é o mais próximo que posso pensar em chegar de uma possível 'fórmula'.

Bem, sempre gostei de duas coisas na vida: música e leitura. Dos quadrinhos infantis que me despertaram o interesse pelo hábito de ler às obras que tive contato na minha adolescência e vida adulta e que me formaram – e continuam formando – como leitor, sou da opinião que qualquer pessoa que deseja escrever deve, antes de tudo, gostar de ler. São duas coisas que andam juntas.

No meu caso, o interesse pela música aliado ao hábito da leitura me levaram a consumir ferozmente todas as publicações musicais brasileiras lançadas durante a década de oitenta. Da essencial Bizz à horrível Roll, passando pelos históricos e pitorescos primeiros tempos da Rock Brigade e a saudosa Metal, lia de tudo. E mais: como em tudo o que gostamos, o simples ato de ler qualquer texto sobre música fazia com que ele ficasse guardado automaticamente em minha memória, sem o menor esforço. Até hoje é assim: basta ter contato com um texto para ele ser instantaneamente armazenado. Assim, na hora de escrever sobre qualquer assunto ligado à música, a busca por esse 'HD mental' é um processo automático, acessando memórias que nem lembrava que existiam.

Por tudo isso, escrever sobre música foi um processo natural. Sempre gostei do assunto, e quanto vi estava escrevendo. Era uma necessidade quase patológica. Dos primeiros textos enviados para o Whiplash lá em 2004 até esse exato momento já são 7 anos de muitas palavras soltas, algumas opiniões que nem eu concordo mais e alguns textos de que me orgulho bastante.


Não existe uma fórmula para escrever sobre música, e a razão é simples: a própria música não é uma ciência exata, então como analisá-la poderia ser? O que acontece é que vamos mudando com o tempo, aprendendo todos os dias, conhecendo novos sons, amadurecendo, e isso vai refletindo na maneira com que interpretamos uma obra. Quanto mais elementos e experiência tivermos, melhor ficará o nosso texto.

Detesto resenhas que detalham as músicas de um disco faixa-a-faixa. Textos assim têm cara de release oficial da gravadora. Para mim, uma boa crítica musical deve construir um raciocínio sobre o disco que analisa. O texto precisa dizer o que o álbum representa, o que ele transmite, o que ele significa. Daí em diante as coisas variam conforme o estilo de cada autor.

Um dos maiores problemas enfrentados por quem resolve escrever sobre música é a variação de estilos e gêneros presentes atualmente. No meu caso, eu não quero ser um crítico apenas de metal, nem apenas de rocck, de jazz ou de blues. Eu quero escrever sobre o que eu tiver vontade, do mais extremo heavy metal ao mais descartável pop. Uma pretensão imensa, eu sei, mas que mantém o desafio sempre vivo para mim. É demais publicar aqui na Collector´s um texto analisando o último disco da Lady Gaga, por exemplo, e não só porque é inesperado que algo assim apareça por aqui, mas também porque é um desafio imenso para mim, que tenho um background primordialmente baseado no heavy metal, conseguir escrever um texto sobre um álbum de um artista pop como Lady Gaga. É aí que entra a paixão não só pela música, mas também pela leitura: encontrar as palavras, as sensações, que um álbum assim me fazem sentir, é o que, na minha opinião, faz o meu texto evoluir. Seria muito mais confortável escrever apenas sobre heavy metal, mas para mim isso não funciona.

Outra coisa que costumo dizer é que quem escreve sobre música não pode ter medo de expressar as suas opiniões. Parece simples, mas não é. Uma crítica pode expressar qualquer opinião, desde que ela esteja embasada em argumentos. Eu posso concordar ou não com uma crítica de um disco, mas se ela estiver bem escrita e argumentada, mesmo não compartilhando da mesma opinião a respeito do álbum, eu irei respeitar o ponto de vista de quem escreveu. Um texto que critica apenas por criticar não tem validade alguma. É por isso que não dá para levar a sério quem ainda publica, em pleno 2011, textos questionando a obra e a importância dos Beatles, por exemplo. É claro que você pode não gostar da banda – isso é uma coisa, e é apenas a sua opinião pessoal. Agora, meu amigo, se você quer ser um crítico musical e não entendeu ainda o que os Beatles significam para a música, então é melhor rever os seus conceitos.


Para quem quer aprender mais sobre o assunto, sugiro a leitura dos textos de caras como Regis Tadeu, Bento Araújo, Sergio Martins, Ricardo Batalha e Marcelo Costa, para mim os cinco principais jornalistas de música do Brasil. Quem quiser mais deve ir atrás também dos escritos de Andre Barcinski, Fábio Massari, os textos do falecido Celso Pucci na extinta Bizz e Ana Maria Bahiana. Uma boa leitura, sempre, é encontrada nas antigas edições da já citada Bizz, principalmente na seção de lançamentos e na Discoteca Básica, onde textos antológicos foram publicados. Uma passada pela falecida Somtrês também vale a pena.

E, pra fechar, uma dica muito importante: esse texto é só um relato pessoal e não um guia definitivo. O que escrevi aqui é apenas a minha experiência, como as coisas funcionam para mim. Se ele ajudar você que quer escrever sobre música, ou já escreve, e se ele o inspirar a tentar colocar em palavras o amor pelos sons, terá cumprido o seu papel. 

Rise to Remain: crítica do álbum 'City of Vultures' (2011)

quarta-feira, agosto 31, 2011

Por Ricardo Seelig

Nota: 7,5

O Rise to Remain ganhou destaque na mídia especializada por ser o grupo de Austin Dickinson, filho de Bruce Dickinson. Nascida em Londres em 2008, a banda é formada também por Ben Tovey (guitarra), Woll Homer (guitarra), Joe Copcutt (baixo) e Pat Lundy (bateria). Contratada pela toda poderosa EMI, contou com a produção de Colin Richardson (Behemoth, Carcass, Trivium) em City of Vultures, seu primeiro disco, que chega às lojas no próximo dia 5 de setembro.

O som é um metalcore com duas características bem marcantes: partes bastante melódicas, onde Austin canta com a voz limpa, e momentos mais extremos e de pancadaria pura, onde o gutural toma conta e a banda pisa fundo no peso e na velocidade, aproximando-se do death metal.

Austin herdou do pai não apenas a semelhança física, mas também a potência vocal. O timbre do jovem Dickinson é bastante agudo, na melhor tradição do seu progenitor. Mostrando inegável talento, Austin Dickinson divide os holofotes do Rise to Remain com a dupla de guitarristas, responsável por bases pesadíssimas e solos muito bons, repletos de melodia.

City of Vultures é um disco consistente, o passo inicial de uma banda com um futuro promissor. Tanto a Metal Hammer como a Kerrang apontaram o quinteto como uma das revelações de 2010, e ouvindo o primeiro álbum dos caras percebe-se porque.

Pra finalizar, apenas uma dica: se por algum motivo inexplicável você esperar encontrar aqui algo similar ao Iron Maiden, irá se decepcionar. O Rise to Remain tem cara própria e não tem nada a ver com a banda do papai Bruce. O grande acerto do grupo é conseguir tirar o metalcore da mesmice em que se encontra, e a principal ferramenta para isso são as bem construídas guitarras de Tovey e Homer, o inegável talento de Austin e a grande atenção e espaço que a banda está alcançando na mídia.

A dinastia Dickinson está garantida!


Faixas:
  1. Intro
  2. The Serpent
  3. The Day is Mine
  4. City of Vultures
  5. Talking in Whispers
  6. God Can Bleed
  7. Power Through Fear
  8. Nothing Left
  9. We Will Last Forever
  10. Illusions
  11. Roads
  12. Bridges Will Burn

30 de ago de 2011

Inocentes: três discos clássicos relançados

terça-feira, agosto 30, 2011

Por Ricardo Seelig


O Inocentes, uma das melhores bandas da história do rock brasileiro, começa a ter a sua importância reconhecida. A Warner acaba de relançar três discos clássicos do grupo liderado pelo vocalista e baixista Clemente Nascimento.

Os ótimos Pânico em SP (EP, 1986) e Adeus Carne (1987) e o bom Inocentes (1989) voltam às lojas a preços convidativos, custando apenas 20 reais cada. Pânico em SP contém apenas seis músicas, todas elas hinos do rock brasileiro – e principalmente paulista – da década de 80. Estão no disco as três composições mais conhecidas da banda: a paulada “Rotina”, a power pop “Ele Disse Não” e a imortal faixa-título.



Adeus Carne veio com uma produção melhor e mostrou uma evolução gritante em relação ao EP anterior. Estão no trabalho a excelente “Pátria Amada”, uma das críticas mais inteligentes e certeiras ao governo brasileiro já gravadas por uma banda de rock, além da belíssima “Eu” (onde a banda musicou um poema de Vladimir Maiakovski) e “Morrer aos 18”, “Não é Permitido” e “Na Sarjeta”.



Inocentes, de 1989, tem como destaque “Mais Um na Multidão”, “A Face de Deus” e o hino “Garotos do Subúrbio”, composição histórica dos primeiros tempos do movimento punk brasileiro. A capa, com a banda posando toda nua, também marcou época.

Se você não tem esses discos, ou não conhece o trabalho do Inocentes, aproveite!

29 de ago de 2011

Enquete da semana: qual é o melhor álbum de heavy metal lançado em 1982?

segunda-feira, agosto 29, 2011

Por Ricardo Seelig

A resposta era óbvia, e aqui está ela:

Iron Maiden – The Number of the Beast – 57%
Judas Priest – Screaming for Vengeance – 14%
Motörhead – Iron Fist – 7%
Accept – Restless and Wild – 6%
Kiss – Creatures of the Night – 5%
Venom – Black Metal - 4%
Manowar – Battle Hymns – 3%
Scorpions – Blackout – 2%
Anvil – Metal on Metal – 1%
Twisted Sister – Under the Blade - 1%

As suas primeiras colocações eram esperadas. Me surpreendeu o Iron Fist na frente do Restless and Wild, do Accept, que para mim é superior. Esperava que o Black Metal, do Venom, também tivesse um número maior de votos.

E vocês, o que acharam do resultado final?

Jethro Tull: banda tocará 'Thick as a Brick' na íntegra

segunda-feira, agosto 29, 2011

Por Ricardo Seelig

Grandes novidades para os fãs do Jethro Tull. Além de uma turbinadíssima edição especial de 40 anos do clássico Aqualungpara mais detalhes clique aqui - a banda de Ian Anderson irá tornar realidade o sonho de milhões de fãs em todo o mundo.

O grupo anunciou que tocará o álbum Thick as a Brick na íntegra em sua turnê de 2012. Será a primeira vez em quatro décadas que o Jethro Tull executará uma de suas maiores obras em sua totalidade na estrada. A tour terá início no Reino Unido na metade do mês de abril do ano que vem e seguirá até o início de novembro, passando por diversos países europeus e também pelos Estados Unidos. Os shows contarão com uma grande produção, incluindo projeção de vídeos, músicos adicionais e outros diferenciais.

Se você é fã do Jethro Tull, aproveite que o anúncio foi feito com bastante antecedência e garanta já o seu ingresso.

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