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A Saga de Tex Willer Vol. 1 é a melhor porta de entrada para o universo de Tex (2026, Mythos Editora)


Criado em 1948 por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini, Tex já protagonizou milhares de páginas sem perder sua identidade. Em 2018, porém, a Sergio Bonelli Editore decidiu olhar para o passado do personagem e lançou Tex Willer, série dedicada à sua juventude. Agora, a Mythos Editora reúne o primeiro arco completo dessa fase em A Saga de Tex Willer Vol. 1, um encadernado que demonstra porque essa foi uma das melhores decisões editoriais envolvendo o herói em décadas.

O volume reúne as quatro primeiras histórias da série (Vivo ou Morto!, A Quadrilha de Red Bill, O Segredo do Medalhão e A Caverna do Tesouro), formando uma narrativa única e contínua. A mudança para o formato encadernado beneficia bastante a leitura, permitindo acompanhar toda a aventura sem interrupções e valorizando o ritmo pensado pelo roteirista Mauro Boselli.

A proposta da série é simples, mas extremamente eficiente: mostrar Tex antes de se tornar o lendário ranger conhecido pelos leitores. Aqui ele ainda é um jovem impulsivo, perseguido pela lei após vingar a morte do pai e do irmão. Considerado um fora da lei, precisa sobreviver enquanto enfrenta caçadores de recompensa, quadrilhas e autoridades corruptas, ao mesmo tempo em que constrói as amizades e rivalidades que definirão sua trajetória.

Boselli aproveita essa premissa para preencher lacunas da cronologia clássica sem cair na armadilha dos reboots. Em vez de reescrever o passado, ele amplia acontecimentos apenas mencionados em aventuras antigas, especialmente os ligados à histórica O Totem Misterioso, publicada originalmente em 1948. O resultado é uma narrativa que respeita profundamente o legado criado por Gianluigi Bonelli, mas oferece uma leitura moderna, mais dinâmica e com personagens emocionalmente mais desenvolvidos.

O maior mérito do roteiro está justamente na construção desse jovem Tex. Embora já possua o senso de justiça que o tornaria famoso, ele ainda age por impulso, comete erros e aprende durante a jornada. Essa diferença torna a leitura interessante até mesmo para veteranos, que encontram um protagonista mais humano e vulnerável do que o ranger praticamente imbatível da série tradicional.

Ao longo de 260 páginas, Boselli alterna perseguições, tiroteios, conspirações, caça ao tesouro e momentos de desenvolvimento dos personagens sem perder o ritmo. A rivalidade com o inescrupuloso John Coffin nasce de forma bastante convincente, enquanto Tesah ganha um espaço importante na narrativa, ajudando a construir o lado mais humano do protagonista.

Se o roteiro impressiona, a arte de Roberto De Angelis eleva ainda mais a qualidade da obra. Seu traço combina perfeitamente com o western clássico, apresentando paisagens exuberantes, cenas de ação extremamente fluidas e personagens carregados de expressão. Cada página transmite profundidade e movimento, resultado de uma narrativa visual cinematográfica que valoriza tanto os momentos de ação quanto as passagens mais intimistas.

Outro acerto da Mythos é justamente reunir esse arco em um único volume. A publicação original em capítulos mensais funcionava bem, mas a leitura contínua evidencia ainda mais a consistência da história e permite perceber como Boselli construiu cuidadosamente a evolução do protagonista desde a primeira até a última página.

Para quem nunca leu Tex, A Saga de Tex Willer Vol. 1 talvez seja hoje a melhor porta de entrada para esse universo. Não exige conhecimento prévio da cronologia clássica, apresenta os principais elementos do personagem e entrega uma aventura envolvente do início ao fim. Já os leitores antigos encontrarão inúmeras referências que enriquecem ainda mais a experiência sem prejudicar quem está chegando agora.

A Saga de Tex Willer Vol. 1 prova que ainda há muito espaço para contar boas histórias com um personagem criado há quase oito décadas. Mauro Boselli encontra o equilíbrio entre tradição e renovação, enquanto Roberto De Angelis entrega uma das fases visualmente mais marcantes da carreira do ranger. O resultado é um western clássico contado com linguagem contemporânea, capaz de agradar tanto quem acompanha Tex há décadas quanto quem está colocando os pés pela primeira vez no Velho Oeste.


Comentários

  1. Concordo. E vale muito a pena a leitura. História dinâmico e com o espírito do Tex clássico

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