Em 1978, no auge da popularidade e à beira de mudanças internas profundas, o Kiss lançou Double Platinum , sua primeira coletânea oficial. Mais do que um simples “best of”, o álbum, que saiu originalmente em vinil duplo, funciona como um retrato cuidadosamente embalado da fase clássica do grupo cobrindo o período entre 1974 e 1977, anos em que a banda construiu sua identidade sonora e visual. A proposta parecia simples: reunir os principais momentos dos seis primeiros discos de estúdio. No entanto, Double Platinum foge do padrão ao apresentar versões remixadas e editadas de várias faixas. Em alguns casos as mudanças são sutis, e em outros alteram sensivelmente a experiência. “Strutter ’78”, por exemplo, surge regravada com um verniz mais moderno (e levemente flertando com a disco music), enquanto “Detroit Rock City” e “Black Diamond” aparecem com cortes e ajustes estruturais. A tentativa de uniformizar o som, considerando as diferenças de produção entre os álbuns originais, acaba s...
Depois do maior intervalo entre discos da carreira, o Deftones retorna com Private Music (2025) em meio a mudanças internas, como a saída do baixista Sergio Vega, mas mantendo um elemento-chave: a produção de Nick Raskulinecz, responsável por alguns dos álbuns mais consistentes da fase recente da banda norte-americana. A conexão com Diamond Eyes (2010) é evidente, mas aqui tudo parece mais contido e menos urgente. Isso fica claro logo nas primeiras audições. “My Mind Is a Mountain”, por exemplo, se constrói sobre um riff arrastado e pesado, mas nunca explode de fato. A música cresce em camadas, com a voz de Chino Moreno mais sugerindo do que impondo. Já “Milk of the Madonna” aposta em uma ambiência mais densa, quase hipnótica, com guitarras que oscilam entre textura e peso, criando uma sensação de suspensão constante. As guitarras de Stephen Carpenter continuam pesadas, mas frequentemente se dissolvem em camadas mais abertas e texturizadas. Em “Souvenir”, isso aparece de forma mai...