Quando assumiu o título do Homem-Animal em 1988, Grant Morrison não estava interessado em apenas revitalizar um personagem obscuro da DC. O que o roteirista escocês fez nas sete primeiras edições da série, reunidas no volume O Evangelho Segundo o Coiote que a Panini acabou de publicar na coleção DC de Bolso, foi algo muito mais ambicioso: transformar uma HQ de super-herói em um laboratório de ideias. Nos quatro primeiros capítulos, a estrutura ainda parece familiar. Buddy Baker é apresentado como um herói de segunda linha tentando equilibrar a vida doméstica com uma carreira instável, lidando com contas, família e uma sensação constante de inadequação. Mas já aqui surgem sinais de que algo diferente está em curso. Morrison introduz conceitos como a interconexão entre todos os seres vivos (uma espécie de “rede da vida”) e começa a deslocar o foco da ação para reflexões éticas e existenciais. A arte de Chas Truog, finalizada por Doug Hazlewood, acompanha bem essa transição. O traço ...
Mr. Bad Guy (1985) é um daqueles discos que revelam mais sobre o artista do que sobre sua posição na história. Único álbum solo de Freddie Mercury, o trabalho nasce de um momento de distanciamento temporário do Queen e funciona como um laboratório onde o vocalista explora caminhos que dificilmente encontrariam espaço dentro da dinâmica coletiva da banda. Gravado em Munique entre 1983 e 1985, o disco mergulha no universo do pop oitentista, com forte presença de sintetizadores, batidas programadas e uma clara inclinação para a pista de dança. Se em Hot Space (1982) o Queen já havia ensaiado essa direção, aqui Mercury leva a proposta ao extremo, assumindo o controle total do processo criativo. O resultado é um álbum que troca o peso das guitarras por texturas eletrônicas e estruturas mais diretas, aproximando-se do synth-pop e da disco music. Mas reduzir Mr. Bad Guy a um exercício de estilo seria injusto. Há, por trás da superfície, um disco bastante pessoal. As letras transitam e...