Pop (1997) representa o ponto mais radical de uma fase de reinvenção do U2 iniciada com Achtung Baby (1991) e expandida em Zooropa (1993), período em que a banda decidiu confrontar diretamente o seu próprio legado de rock épico e messiânico ao incorporar elementos da música eletrônica, da cultura clubber e da estética pop dos anos 1990. Desde a abertura com “Discothèque”, fica claro que o grupo pretendia ir além de um simples flerte com novas sonoridades. A faixa é construída sobre batidas programadas, loops e texturas sintéticas, enquanto a guitarra de The Edge surge filtrada e fragmentada, dialogando com a linguagem da música eletrônica. Essa abordagem se aprofunda em “Mofo”, uma das composições mais intensas do disco: uma avalanche rítmica que mistura techno, rock industrial e uma interpretação vocal quase febril de Bono, refletindo memórias pessoais e inquietações existenciais. O interessante é que, apesar do título sugerir leveza ou superficialidade, Pop está longe de ser ...
Better Than Raw (1998) representa o momento em que o Helloween deixou definitivamente para trás qualquer sombra da crise criativa dos primeiros anos da década. Se The Time of the Oath (1996) havia recolocado a banda nos trilhos, aqui o grupo soa confiante, pesado e artisticamente maduro, talvez como não soava desde o auge oitentista. A principal diferença está na produção. O trabalho conduzido por Tommy Hansen enfatiza guitarras mais graves e encorpadas, bateria com pegada seca e direta, e menos brilho “fantástico” típico do power metal tradicional. O resultado é um álbum mais agressivo, quase flertando com o heavy metal tradicional em alguns momentos. “Push”, que abre o disco, é praticamente um manifesto: riffs cortantes, andamento veloz e Andi Deris cantando com ataque e personalidade. Deris, aliás, é um dos grandes trunfos do álbum. Sua interpretação aqui é mais emocional, explorando nuances que vão do sarcasmo à introspecção, ampliando o espectro lírico da banda. Um dos aspe...