Quando George Orwell publicou A Revolução dos Bichos em 1945, sua intenção era criticar os rumos da Revolução Russa e denunciar como regimes autoritários podem se apropriar dos ideais que prometem defender. O livro rapidamente ultrapassou seu contexto histórico e se tornou uma das alegorias políticas mais influentes do século XX, permanecendo atual mesmo oito décadas depois. É justamente esse legado que Tom King revisita em O Abrigo dos Animais , publicado no Brasil pela Taverna do Rei. Em vez de adaptar ou modernizar o clássico de Orwell, o roteirista norte-americano parte de uma premissa semelhante para construir uma história própria, voltada aos dilemas das democracias contemporâneas e às disputas pelo poder que continuam moldando a sociedade. A trama se passa em um abrigo onde cães, gatos e coelhos finalmente conseguem expulsar os humanos e assumir o controle do lugar. A conquista da liberdade, porém, está longe de representar o fim dos problemas. Sem um inimigo comum, os animai...
Suceder um álbum que alcançou sucesso absoluto sem cair na tentação de repetir a fórmula vencedora é um desafio que poucos artistas conseguem superar. Depois do impacto cultural de Brat (2024), disco que consolidou Charli XCX como um dos principais nomes do pop contemporâneo, o caminho mais previsível seria entregar uma continuação recheada de refrões explosivos e batidas feitas para dominar as pistas de dança. Em Music, Fashion, Film (2026), ela escolhe seguir na direção oposta. O oitavo álbum da cantora britânica é curto, direto e surpreendentemente introspectivo. Em pouco mais de meia hora, Charli troca boa parte dos sintetizadores que marcaram seus trabalhos recentes por guitarras, uma produção mais enxuta e canções que refletem sobre criatividade, fama e o peso de viver constantemente sob os holofotes. O título resume bem a proposta: explorar a conexão entre diferentes formas de arte e o impacto que elas exercem sobre sua identidade como artista. E a capa, com o música John Cal...