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Dylan Dog Vol. 48: horror filosófico e suspense policial em uma das edições mais equilibradas da Mythos (2026, Mythos Editora)

Uma das grandes qualidades de Dylan Dog sempre foi sua capacidade de transitar entre diferentes vertentes do horror sem perder a identidade. Ao longo da série criada por Tiziano Sclavi, o Investigador do Pesadelo enfrentou monstros, fantasmas, serial killers, demônios e até os próprios medos da condição humana. O volume 48 da coleção publicada pela Mythos Editora ilustra perfeitamente essa versatilidade ao reunir duas histórias bastante distintas: Os Dias do Pesadelo , escrita por Gianfranco Manfredi, e O Desafio , de Claudio Chiaverotti. A primeira aventura é, sem dúvida, o ponto alto da edição. Durante uma investigação envolvendo uma misteriosa seita, Dylan entra em contato com uma substância que lhe concede a capacidade de enxergar o futuro. O que inicialmente parece uma vantagem logo se transforma em uma maldição: suas visões avançam cada vez mais no tempo, revelando tragédias inevitáveis, pessoas queridas envelhecendo e morrendo e um futuro do qual talvez não exista escapatória....
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Invencível Vol. 14 - A Guerra Viltrumita prova por que Invencível é uma das melhores HQs de super-heróis do século XXI (2026, Panini)

Desde os primeiros volumes de Invencível, Robert Kirkman plantou pistas sobre o poder e a ambição do Império Viltrumita, transformando essa ameaça em uma sombra constante sobre a trajetória de Mark Grayson. Em A Guerra Viltrumita , publicado originalmente entre as edições #71 e #78 e lançado no Brasil como o volume 14 da coleção da Panini, toda essa preparação finalmente explode em um confronto que redefine os rumos da série. A trama reúne Mark, Nolan e Allen, o Alien, em uma ofensiva contra os viltrumitas ao lado da Coalizão dos Planetas. O que poderia ser apenas mais um grande embate entre heróis e vilões rapidamente se transforma em uma verdadeira ópera espacial, com batalhas envolvendo planetas inteiros, decisões políticas e consequências que afetam permanentemente o universo criado por Kirkman. É um arco que amplia a escala da narrativa sem perder de vista seus personagens, fazendo com que cada vitória tenha um custo e cada derrota deixe marcas profundas. O maior mérito do rot...

Tex Gigante 38: Os Dois Fugitivos mostra como o universo de Tex ainda consegue se reinventar (2022, Mythos Editora)

Após quase oito décadas de aventuras, seria natural imaginar que Tex Willer já tivesse explorado todas as possibilidades do western. No entanto, a coleção Tex Gigante existe justamente para provar o contrário. Ao convidar artistas e roteiristas para desenvolver histórias fechadas em formato de luxo, a série oferece maior liberdade criativa sem abrir mão da essência do personagem. Em Os Dois Fugitivos , essa proposta encontra um de seus melhores exemplos. Escrita por Gianfranco Manfredi e ilustrada por Giovanni Freghieri, a HQ surpreende logo nas primeiras páginas ao deixar Tex em segundo plano. Em vez de acompanhar imediatamente o lendário ranger, a narrativa apresenta Billy, um ladrão de pequeno porte, e Josephine, sua companheira, que decidem abandonar a vida criminosa em busca de um novo começo. O problema é que a fuga acontece após o roubo de um valioso objeto pertencente ao impiedoso Wade Gorman, desencadeando uma perseguição que envolve antigos comparsas, caçadores de recompens...

Uma Outra Estação (1997): a beleza escondida da despedida da Legião Urbana

Uma Outra Estação (1997) costuma ocupar um lugar discreto na discografia da Legião Urbana. Frequentemente tratado como um simples álbum póstumo ou uma coletânea de sobras de estúdio, o disco merece uma análise mais cuidadosa. Longe de ser um apêndice da trajetória da banda, ele funciona como um último capítulo, reunindo músicas que, por diferentes motivos, ficaram de fora de discos anteriores, mas que mantêm o alto padrão de composição de Renato Russo. Boa parte do repertório nasceu durante as sessões de A Tempestade ou O Livro dos Dias (1996), originalmente concebido como um álbum duplo. Com a saúde de Renato já bastante debilitada, o projeto foi reduzido a um disco simples, deixando várias gravações inéditas. Após sua morte, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e o produtor Tom Capone organizaram esse material e lançaram Uma Outra Estação , transformando registros dispersos em uma obra surpreendentemente coesa. Da primeira à última faixa, o álbum é marcado por um clima contemplativ...

Genesis Revisited II (2012): Steve Hackett revisita a era de ouro do Genesis em um álbum monumental

Integrante da fase mais celebrada do Genesis entre 1971 e 1977, o guitarrista Steve Hackett ajudou a moldar alguns dos discos mais importantes do rock progressivo. Décadas depois, em vez de simplesmente revisitar esse repertório ao vivo, ele decidiu regravá-lo em estúdio com a experiência adquirida ao longo de uma carreira solo brilhante. O resultado é Genesis Revisited II , um álbum duplo lançado em 2012 que vai muito além de uma coleção de releituras. Sequência de Genesis Revisited (1996), o projeto reúne 21 faixas que percorrem praticamente toda a fase clássica do Genesis, de Nursery Cryme (1971) a Wind & Wuthering (1976). A proposta não é reinventar essas canções, mas apresentar versões que preservam a essência dos arranjos originais enquanto se beneficiam de uma produção moderna, cristalina e extremamente detalhada. Para isso, Hackett convocou um elenco de convidados impressionante. Mikael Åkerfeldt (Opeth), Steven Wilson (Porcupine Tree), John Wetton (Asia), Neal Morse...

Tex Gigante 37 – O Ouro de Old South: quando o maior inimigo não são os apaches, mas a ganância (2021, Mythos Editora)

Poucos personagens dos quadrinhos atravessaram tantas décadas mantendo sua essência quanto Tex Willer. Ainda assim, a coleção Tex Gigante existe justamente para permitir que grandes artistas apresentem uma visão particular do ranger, em histórias mais longas e visualmente ambiciosas. Em O Ouro de Old South , o roteirista Pasquale Ruju e o desenhista Giampiero Casertano entregam uma aventura que respeita a tradição da série enquanto explora um dos temas mais universais do western: o poder destrutivo da ambição. A história começa nos últimos dias da Guerra Civil Americana, quando um grupo de soldados confederados esconde um carregamento de moedas de ouro em território apache. Anos depois, os sobreviventes fundam a pequena cidade de Old South, construída sobre as lembranças de uma causa perdida e sobre a esperança de um dia recuperar o tesouro. Quando Tex e Kit Carson chegam à região perseguindo um grupo de apaches rebeldes, descobrem que o verdadeiro perigo não está apenas nos conflito...

The Final Frontier (2010): o grande álbum injustiçado da discografia do Iron Maiden

Quando se fala nos discos mais subestimados do Iron Maiden, os títulos que costumam aparecer são The X Factor (1995) e Virtual XI (1998). Ambos ganharam novos admiradores com o passar dos anos, mas, para mim, existe um álbum que sofreu uma injustiça ainda maior: The Final Frontier , décimo quinto trabalho da banda, lançado em agosto de 2010. O motivo não está na qualidade das músicas, mas no momento em que o disco chegou às lojas. Depois da excelente sequência formada por Brave New World (2000), Dance of Death (2003) e A Matter of Life and Death (2006), muitos fãs já demonstravam certo desgaste com a fase mais progressiva da banda. Havia uma expectativa por um trabalho mais direto, mais próximo da energia dos anos 1980. Em vez de atender a esse desejo, Steve Harris e seus companheiros decidiram seguir na direção oposta. O resultado foi um álbum frequentemente rotulado como excessivamente longo ou indulgente. Curiosamente, hoje ele me parece um dos trabalhos que melhor envelhecera...

Ganeshu (2025): novo álbum mostra que, trinta anos depois, o Uganga continua evoluindo

Poucas bandas brasileiras conseguiram construir uma identidade tão particular quanto o Uganga. Desde o início dos anos 1990, o grupo mineiro liderado por Manu "Joker" Henriques jamais se limitou aos códigos tradicionais do thrash ou do hardcore. Em vez disso, fez da mistura sua principal marca registrada, aproximando o peso do metal de elementos do punk, do reggae, do rap e da música brasileira, sempre embalados por letras de forte conteúdo social. Em Ganeshu , décimo álbum de estúdio da banda, essa personalidade atinge um novo patamar. O título sintetiza a proposta do disco ao unir Ganesha, divindade hindu associada aos novos começos, e Exu, entidade das religiões afro-brasileiras ligada aos caminhos, à comunicação e à transformação. A ideia vai muito além do simbolismo: representa uma banda disposta a abrir novas portas sem abandonar a essência construída ao longo de mais de trinta anos de carreira. Ganeshu continua apoiado na combinação explosiva entre thrash metal, h...

Fleetwood Mac (1975): o álbum que reinventou uma lenda do rock

Poucas bandas conseguiram se reinventar de maneira tão profunda quanto o Fleetwood Mac. Em 1975, após uma sequência de mudanças de formação e um período de incertezas, o grupo britânico lançou um álbum que levava simplesmente o seu nome. Embora fosse o décimo disco de estúdio da carreira, Fleetwood Mac , o álbum, funciona como um verdadeiro recomeço. É aqui que a banda assume a identidade que a transformaria em um dos maiores fenômenos do rock dos anos 1970 e prepara o terreno para o clássico Rumours , lançado dois anos depois. A chegada de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks foi decisiva para essa transformação. Eles trouxeram uma nova abordagem às composições e aos arranjos, enquanto Christine McVie consolidava seu talento como compositora e melodista. O resultado é um disco em que três personalidades criativas distintas convivem em perfeito equilíbrio, sustentadas pela base impecável formada por Mick Fleetwood e John McVie. Musicalmente, o Fleetwood Mac deixa para trás boa parte d...

Moon Eaters: um quadrinho que parece um grande filme de ação (2026, Poptopia)

Pouco conhecido no Brasil, o quadrinista espanhol Victor Santos nunca escondeu sua paixão pelo cinema, pela literatura pulp e pelos quadrinhos noir. Desde Polar , obra que o projetou internacionalmente e ganhou uma excelente adaptação pela Netflix, o espanhol demonstra um domínio impressionante da narrativa visual e uma capacidade rara de transformar histórias de ação em experiências cinematográficas. Em Moon Eaters , lançado no Brasil pela Poptopia em uma bela edição em capa dura, com 192 páginas e tradução de Lielson Zeni, o autor leva essa proposta um passo adiante ao fundir thriller policial, horror sobrenatural e mitologia nórdica em uma HQ que funciona como uma verdadeira carta de amor à cultura pulp. A trama acompanha Tommy Blackfoot, um ex-presidiário que deixa a prisão após quatro anos decidido a reconstruir a vida ao lado de June, mulher com quem manteve contato durante o período em que esteve encarcerado. O reencontro do casal, porém, dura pouco. Fantasmas do passado volta...