Cinebiografias costumam ser problemáticas, principalmente quando os biografados ou pessoas próximas a eles estão envolvidas na produção. Portanto, o anúncio de que o próprio Elton John seria produtor executivo de Rocketman , longa-metragem que conta sua história, deixou muitos com um pé atrás. Nem precisamos ir longe para lembrar de outros exemplos de cinebiografias prejudicados pela superproteção dos produtores: no ano passado, o problemático Bohemian Rhapsody foi bastante criticado por ser chapa branca, muito graças à produção de Brian May, guitarrista do Queen. Felizmente, Rocketman passa longe disso. A obra, que se estrutura como um verdadeiro exercício de autoanálise do lendário músico inglês, começa com Elton John adentrando um grupo de apoio com uma de suas mais extravagantes fantasias, até que, aos poucos, revela-se um sujeito mentalmente quebrado, refém dos vícios em compras, drogas, sexo e álcool. A biografia, portanto, em momento algum tenta minimizar ou esconde...