A composição genética da milionária parceria Roberto e Erasmo Carlos não é o que se pode chamar de divisão igualitária - o primeiro ficou com o mito, com a multidão e a gritaria, ao outro restou o risco e o status de cult. Comparando a carreira dos dois amigos, fica claro que tudo o que o Rei levou às paradas já havia sido testado pelo Tremendão. Iê-iê-iê romântico, temas religiosos, MPB velha guarda, soul, funk, música de motel: qualquer uma destas e muitas aventuras mais, Erasmo experimentou antes, como o operário da música que sempre foi, cheio de simpatia, convicção e entusiasmo. O início dos anos 1970 ajudou a intensificar a diferença entre ambos. A Jovem Guarda já era passado e, enquanto Roberto partia para um público adulto, ganhando ares de artista sério e respeitado até pelo Pasquim, Erasmo se viu sem gravadora, sem programa na TV e sem hits nas rádios. Aproveitou para cair na vida - conheceu as drogas, o álcool, a mulherada - " só em quantidade ", como adm...