Roqueiros de todas as idades já experimentaram ao menos um pouco do caos, destruição, irreverência inquieta e outros sabores fornecidos pelo cantor Iggy Pop nos últimos cinquenta anos, seja através de sua seminal banda de proto-punk The Stooges ou de sua extensa e diversificada carreira solo. Após uma bem-sucedida parceria com Josh Homme (Queens of the Stone Age) em Post Pop Depression (2016), Iggy resolveu se isolar do rock and roll e traduziu essa fuga através de um inesperado álbum meditativo, Free . A suavidade nunca foi o forte do nosso querido e alucinado Iggy, mas aqui ele elevou o potencial jazzístico do fraco Préliminaires (2009) e finalmente encontrou o tom certo de minimalismo e serenidade. Sua voz grave e cansada se mostra tão anestesiante quanto a de um Nick Cave em seus momentos mais soturnos. E os arranjos trazem guitarrinhas econômicas, camadas eletrônicas meio new age e alguns curiosos naipes de metais. Já as letras abordam temas que vão do amor à mort...