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Mostrando postagens com o rótulo Rigotto´s Room

Rigotto´s Room: Joe Strummer, o chefe militar do punk rock!

Por Maurício Rigotto Estou de volta, após um mês de férias, período em que não escrevi uma única linha sobre música e me dediquei a escrever mais um conto para uma futura antologia. Confesso que até o inicio dessa semana eu não tinha ideia sobre qual seria o tema de minha próxima coluna, até que assisti a um dos melhores documentários já feitos sobre um artista de rock. Não restava mais dúvidas, a pauta estava escolhida. Estou falando de The Future is Unwritten , filme dirigido por Julien Temple sobre a efêmera, porém intensa vida de Joe Strummer, líder do The Clash. Descobri o Clash ainda criança, quando comecei a me interessar por rock. Eu já tinha alguns discos do Led Zeppelin, Pink Floyd, Rolling Stones e outros, e quando vi um álbum do Clash em uma loja me chamou a atenção que os integrantes tivessem cabelos curtos, corte moicano e doses cavalares de brilhantina. Até os meus onze anos acreditava que todos os roqueiros fossem cabeludos com visual hippie. A capa de Combat Rock foi ...

Rigotto's Room: a Nova York de Lou Reed!

Por Maurício Rigotto Em uma reflexão nostálgica e estritamente pessoal, constatei que 1989 foi um ano marcante para mim, para o mundo e também para o rock. 1989 foi o ano em que completei dezoito anos e atingi a minha maioridade. Pude fazer minha carteira de habilitação e meu título de eleitor. Abri conta-corrente em banco, arranjei meu primeiro emprego e votei pela primeira vez, justamente na eleição que devolveu aos brasileiros o direito de escolher seu Presidente da República. Votei em Leonel Brizola no primeiro turno e no sindicalista Lula no segundo. Não adiantou, a maioria escolheu o Collor e deu no que deu. Foi o ano em que assisti a um show de Raul Seixas e dois meses depois me comovi com sua morte. Em termos globais, a queda do muro da vergonha de Berlin vislumbrava uma nova ordem mundial, injetando na juventude a qual eu estava inserido uma utópica esperança de que dias melhores estavam por vir. Não que eu estivesse seriamente preocupado. Como qualquer garoto de dezoito anos ...

Rigotto's Room: Bill Wyman e seu Willie and the Poor Boys

Por Maurício Rigotto Em 1983, se tornou perceptível que algo não estava bem na maior banda de rock’n’roll do mundo. Os Rolling Stones lançaram Undercover , um de seus álbuns menos inspirados em toda sua longeva existência, e a relação entre Mick Jagger e Keith Richards passou a apresentar evidentes sinais de desgaste que prenunciavam que a separação das pedras rolantes estava próxima de se tornar realidade. Neste mesmo ano, a nata do rock inglês se reuniria para um concerto beneficente histórico para angariar fundos para o combate da esclerose múltipla, doença hereditária e degenerativa que acometera Ronnie Lane, baixista dos Small Faces e depois dos Faces. No dia 20 de setembro se reuniram no Royal Albert Hal, em Londres, a cozinha dos Rolling Stones, Bill Wyman e Charlie Watts; os guitarristas Eric Clapton, Jeff Beck, Jimmy Page e Andy Fairweather Low; o ex-Traffic Steve Winwood; Chris Stainton; Kenney Jones e Ray Cooper. Também participaram do projeto os vocalistas Paul Rodgers e Jo...

Elton John e Leon Russell: a união de dois gênios, o nascimento de um grande disco

Por Maurício Rigotto Colecionador Collector´s Room A primeira década do novo milênio se encerrará nos próximos dias. Mesmo assim, o final do ano de 2010 ainda nos brinda com gratas surpresas no mundo da música. Um exemplo é a inusitada união de Elton John e Leon Russell, que lançaram um excelente álbum em parceria no final do último mês de outubro, apropriadamente intitulado The Union . O pianista Elton John foi um dos nomes mais populares do rock desde o final dos anos sessenta até meados dos anos oitenta, quando passou a fazer discos chatinhos repletos de baladas pop comerciais. Quem tem menos de trinta anos deve até estranhar que eu o esteja chamando de roqueiro, porém basta ouvir os seus trabalhos dos anos setenta para constatar o quão talentoso é esse grande e espalhafatoso artista. Ainda nos anos oitenta parei de comprar seus discos e perdi o interesse pela sua carreira, pois Elton demonstrava estar mais interessado em andar em companhia de grandes estilistas de moda e a realeza ...

Rigotto's Room: Paul McCartney, um Wing entre nós

Maurício Rigotto Colecionador Collector´s Room Finalmente no próximo domingo irei assistir a um dos shows mais esperados de toda a minha vida: Paul McCartney. Em minha juventude, não consegui ingressos e desperdicei as oportunidades em 1990 e 1993, quando o ex-líder dos Wings se apresentou na América do Sul. Meus cabelos ficaram brancos enquanto eu aguardava por uma nova chance. Eis que há dois meses, mais precisamente na manhã do dia oito de setembro, estava em Buenos Aires e após o café matinal oferecido pelo hotel, fui ler o matutino La Nacion e lá estava a estupefante notícia: “Paul McCartney fará shows na Argentina em novembro.” A euforia imediatamente tomou conta de mim, embora logo a seguir passei a raciocinar como São Tomé, aquele que precisou ver para crer, calejado devido a várias experiências anteriores em que me empolguei com concertos que acabaram por não se concretizar, pois não passavam de boatos infundados plantados na imprensa. A razão principal de minha desconfiança ...

Rigotto's Room: I Feel Like Playing, o novo álbum de Ron Wood

Maurício Rigotto Colecionador Collector´s Room Ronnie Wood conta em sua autobiografia, publicada em 2007, que se interessou por artes plásticas e guitarras elétricas ainda na mais tenra idade, mas seu pai ficava diariamente lhe lembrando que ele precisava era focar nos estudos para no futuro conseguir um bom emprego. Ronnie até frequentou a universidade de artes, porém começou a tocar guitarra em bandas como The Birds (não confundir com os norte-americanos The Byrds) e The Creation, enquanto seu pai continuava a lhe repetir que ele deveria estudar para conseguir um bom emprego. Ron Wood passou a fazer sucesso nas bandas Jeff Beck Group e The Faces, mas seu pai insistia que o filho deveria estudar para obter um bom emprego. Ronnie prossegue o seu relato: " Nunca segui o conselho de meu pai, então em 1975 o Mick Taylor saiu dos Rolling Stones e fui convidado para o posto de guitarrista dos Stones, onde estou até hoje. (pausa) O melhor emprego do mundo! ". Assim é Ronnie Wood, u...

Rigotto´s Room: Clapton, o novo álbum de Eric

Maurício Rigotto Colecionador Collector´s Room Até o surgimento do rock’n’roll, em meados dos anos cinquenta, a guitarra elétrica não era um dos instrumentos mais relevantes. A maioria das bandas de jazz, que reinavam absolutas até então, usualmente nem tinham guitarristas em suas formações, e quando os possuíam eram renegados ao segundo plano. Basta lembrar de alguns dos grandes nomes da era de ouro do jazz: Duke Ellington e Oscar Peterson (pianistas); Charlie Parker, John Coltrane e Stan Getz (saxofonistas); Miles Davis, Chet Baker e Dizzy Gillespie (trompetistas); Benny Goodman (clarinetista); Charles Mingus e Paul Chambers (contrabaixistas); Elvin Jones, Buddy Rich e Gene Krupa (bateristas); etc. Guitarristas raramente eram lembrados. Outros gêneros que antecederam o rock, como o blues e o skiffle, até tinham a guitarra em destaque, mas geralmente uma guitarra acústica, um violão. O advento do rock colocou a guitarra em evidência, e logo diversos jovens se destacaram como grandes i...