O ano era 1974. Seu casamento havia acabado e ele havia largado sem maiores explicações a banda que fundara em meados dos anos 1960 e que agora seguia por outros caminhos. A perspectiva de uma carreira solo se esvaia como uma alucinação das montanhas de ácido lisérgico que consumia. O futuro nunca lhe parecera tão incerto como quando entrou na sala de Roberto Menescal, então diretor artístico da Philips. Queria apresentar um projeto para um disco solo, mas encontrava dificuldades em falar com André Midani, o chefão da companhia. Menescal se dispôs a ir com ele e ouvir o material composto. Notou então que as músicas, assim como o compositor, tinham um tom triste, muito longe do garotão irreverente que conhecia desde 1969. Cantava como se cada música tivesse o poder de extravasar a dor e a confusão que sentia. Ao voltar para o escritório, Menescal comunicou a André Midani que estava disposto a fazer um disco com aquele sujeito. Apesar de ser muito corajoso quando o assunto...