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Mostrando postagens com o rótulo The Clash

London Calling (1979): quando o The Clash expandiu o punk para além dos próprios limites

Lançado no apagar das luzes de 1979, London Calling é o disco em que o The Clash se torna uma das vozes centrais da música popular do fim do século 20. Ainda carregado de urgência, ruído e confronto, o álbum amplia radicalmente o vocabulário do grupo, incorporando reggae, ska, rockabilly, R&B e pop sem jamais soar disperso. Ao contrário, tudo parece guiado por uma mesma tensão: a sensação de que algo estava ruindo social, política e culturalmente, e precisava ser narrado com clareza e força. A produção de Guy Stevens contribui para esse clima quase caótico, com um som cru, vibrante e frequentemente à beira do colapso. Não há polimento excessivo nem concessões estéticas óbvias. O que se ouve é uma banda tocando como se cada faixa fosse urgente demais para esperar. Joe Strummer canta como um cronista do fim de uma era, Mick Jones equilibra melodia e aspereza, e a dupla Paul Simonon e Topper Headon constrói a base rítmica que permite ao disco transitar com naturalidade entre estilo...

Sandinista! (1980): a gigantesca utopia musical do The Clash

Há discos que parecem não caber dentro do seu próprio formato. Sandinista! (1980) é um desses casos: um álbum tão grande em intenção, em alcance e em espírito que mesmo um triplo LP parece pequeno diante do que Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Topper Headon tentaram registrar. Se London Calling (1979) apontou caminhos, Sandinista! abriu portais. Em 1980, o Clash era uma banda que incendiava a política, transitava entre culturas e observava o mundo com uma curiosidade quase antropológica. Sandinista! nasce dessa inquietação. O título, referência direta ao movimento sandinista da Nicarágua, já anuncia o clima: trata-se de um disco nascido no caldeirão geopolítico da época, mas filtrado pela lente artística de uma banda que enxergava música e militância como territórios complementares. Logo na abertura, “ The Magnificent Seven ” estabelece o tom: um funk urbano que antecipa o hip-hop e mostra a banda mergulhando sem medo em novas linguagens. A partir daí, o álbum se desdo...

Box compila obra de Joe Strummer, do The Clash

Será lançado dia 28 de setembro pela Ignition Records um box contendo material de Joe Strummer, vocalista e guitarrista do The Clash. A caixa, intitulada Joe Strummer 001 , vem com canções dos discos solo, faixas presentes em trilhas sonoras e músicas gravadas ao lado das bandas The 101ers e The Mescaleros, além de versões alternativas para canções do The Clash. A curadoria do material foi feita pela viúva de Joe, Luce Strummer, e por Robert Gordon McHarg II, artista que era amigo do músico.  Alguns dos destaques do box são a versão demo inicial de “This is England”, outtakes da trilha sonora do filme Sid & Nancy e outras pepitas sonoras. Todo o material foi restaurado e masterizado pelo produtor Peter J. Moore. Joe Strummer 001 será disponibilizado em diversos formatos, tendo como principal o box que inclui LP, k7, compactos de 7 polegadas, artes, itens de memorabília, um livreto e outros quitutes. Edições com tracklist menor serão lançadas em CD e vinil. ...

Discoteca Básica Bizz #050: The Clash - London Calling (1979)

Três anos depois do verão punk, o establishment pop ainda lambia suas feridas. Aqueles Sex Pistols de Malcolm McLaren eram uma brincadeira de mau gosto? E - impensável - se eles fossem importantes, mesmo sendo uma brincadeira de mau gosto? Aliás, se tudo aquilo fosse importante exatamente por ser uma brincadeira de mau gosto? Desde os Beatles, os anos 1960 e a politização/psicodelização do rock, a indústria não via questões tão profundas e tão graves ameaçando as regras do (seu) jogo. A primeira metade dos anos 1970 trouxe uma paz confortadora, em que bons negócios eram possíveis com um mínimo de tumultos e confrontos. A indústria tinha um produto de aceitação certa e imediata, e os consumidores pareciam felizes. Por que e de onde vinha essa insurreição? E que momento péssimo haviam escolhido para atacar: exatamente quando, dos clubes gay underground, a disco music avançava sobre as hordas de adolescentes. Mas o pior ainda estava por vir: em 1979 o establishment descobriu...

Nas bancas: Adele, The Clash, Kurt Cobain e o melhor do heavy metal "old-school"