Em 1980, nas primeiras linhas de uma resenha à recém-lançada versão brasileira do álbum Soldier para a revista SOMTRÊS, o jornalista José Augusto Lemos chamou a atenção para o fato de Iggy Pop, infelizmente, não ser tanto e tão bem ouvido quanto merecia aqui no Brasil, e atribuiu a culpa disso às gravadoras. Acontece que décadas depois e já sem o embargo de gravadoras, o lamentável fato é que Iggy ainda não é escutado com a atenção merecida nesta república federativa. A razão? Tenho meus palpites. O fato de ter sido alçado ao posto de padrinho da feroz brigada punk acabou por afastar de sua obra daqueles afeitos a uma concepção "mais clássica" de rock, invariavelmente fãs de bandas como Led Zeppelin e Black Sabbath, que com a ascensão da punkadaria acabaram sendo relegadas a um ostracismo do qual só emergiriam na década de 1990. Uma certa mágoa? E há o preconceito apoiado no lugar comum repetido como um dogma: " música barulhenta e mal tocada ". Ora...