Dizem que 1967 foi o ano em que "tudo aconteceu" - "tudo" sendo a linha divisória do psicodelismo, decretando o fim da música pop como reduto das fantasias ingênuas e adolescentes. No vinil, a marca incicatrizável é composta pelo tripé básico - Sgt. Pepper's dos Beatles, o primeiro dos Doors e a estreia do Velvet Underground. Os Beatles, fundindo contrapontos bachianos com filosofia oriental, não estavam (muito) distantes dos contrapontos jazzísticos com tragédia grega dos Doors. Em ambos está a aspiração de fazer arte a partir do velho rock and roll. Já o "subterrâneo de veludo" (nome tirado de um barato livrinho pornô) trazia a metamorfose mais radical. Em miúdos: agressividade gratuita convivendo com o mais agridoce lirismo, e o mais preto e branco realismo urbano. O que era LSD para John Lennon e Jim Morrison, era a heroína (" Minha esposa / Minha vida ", na faixa "Heroin") para Lou Reed. Nenhum papo de " all you...