Hoje em dia, Charles Bradley tem pressa. Afinal, passaram-se 62 longos anos até que fosse descoberto pela Dunham/Daptone Records e conseguisse lançar No Time For Dreaming (2011), seu primeiro álbum. Durante esse período, sua voz permaneceu intacta. Uma espécie de processo involuntário de preservação. E digamos que valeu a pena. Apenas dois anos após a estreia tardia, porém magistral, o negão já está de volta e novamente pede passagem com seu vozeirão cativante e um soul digno dos maiores mestres do gênero. Aos 64 anos e tendo vivido boa parte deles em meio ao caos social, nada mais natural que Charles exale sofrimento. Na voz e na música, encharcadas pela miséria do Brooklyn, local em que o cantor, natural da Flórida, passou a morar com a mãe a partir dos oito anos. Entretanto, nem só de dor e raiva de espírito está preenchida a obra deste maníaco por James Brown. Há espaço também para o amor e a gratidão, valores que norteiam Victim of Love conceitualmente e o difere...