O lançamento de Angel of Retribution (2005) representou a volta de Rob Halford ao posto de vocalista do Judas Priest, posição que sempre foi sua por direito, reunindo novamente a formação responsável por alguns dos momentos mais emblemáticos do heavy metal.
Produzido por Roy Z, o disco veio após dois álbuns com Tim “Ripper” Owens nos vocais, Jugulator (1997) e Demolition (2001). A expectativa era enorme, e a banda sabia disso. A abertura com “Judas Rising” funciona quase como uma declaração de princípios: riffs cortantes, bateria precisa e Halford explorando agudos que remetem diretamente à fase oitentista. É um cartão de visitas eficiente, que estabelece o tom de retomada.
“Deal With the Devil” e “Hellrider” reforçam essa proposta. A primeira aposta em refrão forte e andamento direto, enquanto a segunda é mais ambiciosa, com mudanças de dinâmica e um clima épico que dialoga com o peso de Painkiller (1990), mas sem tentar copiá-lo. Há uma energia renovada, porém consciente da própria história.
Nem tudo, entretanto, mantém o mesmo nível. “Revolution” soa excessivamente repetitiva, enquanto “Worth Fighting For” aposta em uma abordagem mais melódica que divide opiniões. São faixas que não comprometem o conjunto, mas revelam certa irregularidade composicional. Ainda assim, momentos como “Angel” mostram que o Judas Priest também sabe trabalhar nuances, equilibrando peso e atmosfera.
O encerramento com “Lochness”, faixa longa e cadenciada, é talvez o ponto mais controverso. A intenção épica é clara, mas a execução pode soar arrastada para parte do público. Funciona melhor quando encarada como construção de clima do que como clímax explosivo.
O mérito do álbum está em reconectar passado e presente, reafirmando a identidade da banda após um período de incertezas. As guitarras de Glenn Tipton e K.K. Downing voltam a brilhar em harmonia, enquanto a cozinha rítmica formada por Ian Hill e Scott Travis sustenta tudo com solidez.
Dentro da discografia do Judas Priest, Angel of Retribution não atinge o status de clássico absoluto, mas cumpre um papel fundamental: provar que o Metal God estava de volta e que a chama ainda ardia com força. O disco é peça-chave por simbolizar uma reunião histórica, e por capturar um momento em que tradição e sobrevivência caminharam lado a lado no heavy metal.
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