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Dragonero 33 e 34: a fantasia da Bonelli em sua melhor forma (2026, Mythos Editora)


Desde que chegou ao Brasil pela Mythos, Dragonero vem demonstrando porque se tornou a principal série de fantasia da Sergio Bonelli Editore. Misturando aventura clássica, construção de mundo e personagens carismáticos, a obra de Luca Enoch e Stefano Vietti encontrou uma identidade própria, capaz de dialogar tanto com leitores de fantasia medieval quanto com fãs dos quadrinhos Bonelli. Os volumes 33 e 34 reforçam essa qualidade ao reunir quatro histórias originalmente publicadas na Itália entre os números 46 e 49 da série regular.

O volume 33 abre com No Coração do Império, uma aventura que amplia a dimensão política de Erondar. Ian Aranill, Gmor e Sera chegam à capital imperial para investigar uma conspiração envolvendo assassinos élficos e as misteriosas Rainhas Negras. Stefano Vietti desenvolve uma trama de intrigas, alianças e segredos que enriquece muito o universo da série e mostra como as ameaças podem surgir tanto dos monstros quanto das ambições humanas.

Na sequência, Crianças Perdidas muda completamente o tom. A investigação do desaparecimento de crianças leva os protagonistas a uma narrativa mais sombria, carregada de suspense e emoção. O roteiro constrói uma história que aborda medo, inocência e responsabilidade, resultando em uma das aventuras mais marcantes da série e que dá um protagonismo mais do que merecido para o carismático orc Gmor.


O volume 34 traz uma mudança de ritmo. Em As Asas do Erondar, Luca Enoch recupera o espírito da fantasia clássica, colocando Ian e seus companheiros diante de novas regiões, criaturas e povos. A sensação constante de descoberta faz com que o mundo de Dragonero pareça ainda maior, reforçando um dos maiores méritos da série: a riqueza de sua ambientação. Essa é uma das melhores histórias de toda a série.

A edição se encerra com Os Subterrâneos de Roccabruna, provavelmente a aventura mais indicada para quem aprecia RPG e exploração de mundos. Ruínas antigas, armadilhas, passagens secretas e perigos ocultos criam um clima de suspense que remete às melhores campanhas de fantasia medieval. O roteiro mantém o interesse do início ao fim, enquanto a arte valoriza os ambientes e a sensação constante de perigo. Aqui, somos apresentados a momentos marcantes do passado de Ian, e que ainda impactam o seu presente.

Esses dois volumes mostram toda a versatilidade de Dragonero. Há espaço para conspirações políticas, horror, fantasia clássica, exploração e desenvolvimento do universo sem que a história perca sua unidade. É justamente esse equilíbrio que faz dessa fase uma das mais elogiadas pelos leitores italianos e confirma a maturidade alcançada pela série.

Dragonero 33 e 34 trazem algumas das melhores histórias da saga até agora, consolidando o mundo criado por Enoch e Vietti e demonstrando que a série consegue transitar entre diferentes estilos de narrativa sem perder sua personalidade. Para quem acompanha a publicação brasileira da Mythos, são dois volumes praticamente obrigatórios e uma excelente prova de que Dragonero permanece como uma das melhores séries de fantasia dos quadrinhos europeus da atualidade.


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