City Hunter Vol. 1: um dos maiores mangás da história finalmente chega ao Brasil (2026, Pipoca & Nanquim)
Antes de tudo, é preciso reconhecer a importância histórica desta publicação. Durante décadas, City Hunter figurou entre os grandes clássicos do mangá nunca lançados oficialmente no Brasil. Enquanto séries contemporâneas conquistavam sucessivas edições nacionais, a obra-prima de Tsukasa Hojo permanecia restrita às importaçõess. Coube à Pipoca & Nanquim corrigir essa lacuna com uma edição à altura de sua relevância, baseada na consagrada XYZ Edition japonesa e apresentada em um luxuoso formato omnibus.
Lançado originalmente entre 1985 e 1991, City Hunter acompanha Ryo Saeba, um solucionador de casos que atua como detetive, guarda-costas e mercenário nas ruas de Tóquio. Contratado por meio da misteriosa mensagem "XYZ", deixada em um quadro de avisos na estação de Shinjuku, ele aceita missões que envolvem organizações criminosas, corrupção, tráfico de drogas e todo tipo de perigo urbano. Após a morte de seu parceiro Hideyuki Makimura, Ryo passa a trabalhar ao lado de Kaori Makimura, cuja personalidade forte equilibra perfeitamente o comportamento impulsivo e mulherengo do protagonista.
O que impressiona imediatamente é como a narrativa continua moderna. A estrutura episódica permite que cada caso funcione como uma pequena história completa, enquanto a relação entre Ryo e Kaori evolui de forma gradual e natural. Tsukasa Hojo alterna ação, humor, suspense e drama com uma fluidez invejável, criando um ritmo que faz as quase 600 páginas passarem rapidamente.
Ryo Saeba é, sem dúvida, o grande trunfo da série. Em combate, demonstra precisão quase sobre-humana e uma frieza impressionante. Fora das missões, porém, transforma-se em um conquistador compulsivo, responsável por boa parte do humor da obra. É justamente essa dualidade que torna o personagem tão memorável. Ainda assim, vale o aviso: parte desse humor reflete costumes dos anos 1980 e algumas situações envolvendo seu comportamento com mulheres podem soar datadas para leitores contemporâneos.
O traço de Tsukasa Hojo exibe um domínio extraordinário da anatomia, das expressões faciais e da narrativa cinematográfica. Os cenários urbanos são ricos em detalhes, os automóveis e armamentos são desenhados com enorme precisão e as cenas de ação possuem um dinamismo que continua atual quatro décadas depois de sua criação.
A edição da Pipoca & Nanquim é uma das mais belas já publicadas pela editora e conta com 580 páginas em papel Pólen Bold, capa dura texturizada, sobrecapa, páginas coloridas, comentários do próprio Tsukasa Hojo e uma entrevista com o autor, reproduzindo os extras da edição japonesa de referência. O resultado é um dos projetos gráficos mais sofisticados já produzidos para um mangá no Brasil.
As poucas ressalvas ficam por conta do formato. O volume é pesado para leituras prolongadas e seu preço certamente o posiciona como um produto voltado ao colecionador. Ainda assim, considerando a qualidade editorial e o material oferecido, trata-se de uma edição que dificilmente será superada no mercado nacional.
Além de apresentar um clássico inédito ao público brasileiro, este primeiro volume demonstra por que City Hunter vendeu mais de 50 milhões de exemplares ao redor do mundo e se tornou uma das obras mais influentes da era de ouro da Weekly Shonen Jump. É uma combinação irresistível de ação policial, humor, personagens carismáticos e arte extraordinária. Um início excelente para uma coleção que, finalmente, permite aos leitores brasileiros conhecerem um dos maiores mangás de todos os tempos.
.jpg)


Comentários
Postar um comentário
Você pode, e deve, manifestar a sua opinião nos comentários. O debate com os leitores, a troca de ideias entre quem escreve e lê, é que torna o nosso trabalho gratificante e recompensador. Porém, assim como respeitamos opiniões diferentes, é vital que você respeite os pensamentos diferentes dos seus.