Pular para o conteúdo principal

Don't Bore Us – Get to the Chorus! (2025): o Roxette em uma coleção de hits à prova do tempo


Há artistas que precisam de anos para construir uma coleção respeitável de grandes sucessos. O Roxette precisou de pouco mais de uma década. Formado na Suécia em 1986 por Per Gessle e Marie Fredriksson, o duo transformou uma combinação de pop, rock, baladas e refrões irresistíveis em uma das fórmulas mais bem-sucedidas da música popular entre o final dos anos 1980 e a primeira metade dos 1990. Don't Bore Us – Get to the Chorus!, originalmente lançado em 1995, documenta justamente esse período de ouro.

Trinta anos depois, a coletânea retorna em uma edição comemorativa em CD duplo que amplia o repertório original para 20 faixas. E o mais interessante é perceber como essas músicas continuam funcionando. A produção denuncia sua época em alguns momentos, mas as composições permanecem extremamente eficientes.

"The Look" funciona como uma declaração de princípios: guitarras, teclados, batida contagiante e um refrão que parece ter sido desenhado para permanecer na memória. "Dressed for Success", "Dangerous" e "Joyride" seguem a mesma cartilha, enquanto "Listen to Your Heart" e "It Must Have Been Love" mostram o outro lado do Roxette. Marie Fredriksson possuía uma voz capaz de transformar baladas potencialmente previsíveis em interpretações carregadas de personalidade.

E é justamente essa alternância que impede Don't Bore Us de se tornar uma coleção cansativa de hits. Há o pop ensolarado de "June Afternoon", o peso relativo de "Sleeping in My Car", a melancolia de "Spending My Time", a dramaticidade de "Crash! Boom! Bang!" e a delicadeza de "Vulnerable". Per Gessle sabia construir melodias imediatamente reconhecíveis, mas Marie era fundamental para dar dimensão emocional a esse material.

A edição original de 1995 ainda tinha quatro músicas inéditas. Entre elas, "You Don't Understand Me", coescrita por Gessle e Desmond Child, destaca-se pela sofisticação, enquanto "She Doesn't Live Here Anymore" recupera uma pegada mais próxima do power pop.

A edição de 30 anos acrescenta "Milk and Toast and Honey" e "Wish I Could Fly", ambas posteriores à compilação original. A decisão é discutível: se a intenção era atualizar o conceito de Greatest Hits, as escolhas fazem sentido, mas se o objetivo era simplesmente aprimorar a seleção de 1995, seria possível argumentar pela inclusão de ausências como "Queen of Rain" ou "Church of Your Heart". Ainda assim, as duas faixas acrescentadas ajudam a mostrar que a história do Roxette não terminou naquele primeiro ciclo.

Havia uma impressionante consistência na capacidade de Gessle e Fredriksson de transformar canções pop em acontecimentos radiofônicos. "The Look", "Joyride", "Listen to Your Heart", "Spending My Time" e "It Must Have Been Love" são exemplos de músicas que ultrapassaram sua época porque foram construídas sobre algo que não envelhece: boas melodias.

A edição de 30 anos não precisa justificar sua existência através de raridades ou grandes descobertas. Seu maior argumento é outro: permitir que uma sequência de canções extraordinariamente populares seja ouvida novamente em conjunto e lembrar que sucesso comercial e qualidade artística nunca foram conceitos necessariamente opostos. O próprio título continua sendo uma ótima definição do Roxette: Don't Bore Us – Get to the Chorus! (Não perca tempo, vá direto ao refrão)

E talvez seja justamente isso que torne esta coletânea tão divertida ainda hoje.

A edição dupla de 30 anos foi lançada no Brasil pela Warner, com encarte de 24 páginas.

 


Comentários