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The World Needs a Hero (2001): o primeiro passo para o Megadeth voltar a ser o Megadeth


Depois de Risk (1999), o Megadeth precisava recuperar algo que parecia ter ficado pelo caminho: sua própria identidade. O disco havia levado a banda para uma direção mais comercial e radiofônica, afastando parte considerável dos fãs. Em The World Needs a Hero, lançado em maio de 2001, Dave Mustaine tentou corrigir a rota. A volta de Vic Rattlehead à capa, a presença mais evidente das guitarras e a entrada de Al Pitrelli no lugar de Marty Friedman deixavam clara a intenção de reconectar o Megadeth com sua história.

O resultado, porém, está longe de ser uma simples retomada dos tempos de Rust in Peace (1990). The World Needs a Hero é mais pesado que Risk e Cryptic Writings (1997), privilegia novamente os riffs e traz bons momentos de guitarra, mas ainda preserva boa parte da acessibilidade construída pela banda nos anos 1990. “Disconnect” abre o disco com peso e um refrão memorável, enquanto “Burning Bridges” aposta em uma melodia particularmente eficiente. “Recipe for Hate ... Warhorse” é uma das faixas mais agressivas do álbum e “Dread and the Fugitive Mind” talvez seja seu momento mais convincente, combinando riffs cortantes, mudanças de dinâmica e um excelente trabalho de Al Pitrelli.

“Return to Hangar” é o caso mais controverso. Continuação direta de “Hangar 18”, um dos maiores clássicos do grupo, a faixa recupera a atmosfera e a estrutura da composição original, mas inevitavelmente sofre com a comparação. É competente e divertida, porém não possui a mesma força de sua antecessora. O encerramento com “When” também chama atenção pelas referências a “Am I Evil?”, do Diamond Head, tornando ainda mais evidente a tentativa de dialogar com o passado de Dave Mustaine e do próprio heavy metal.

Nem tudo funciona. “Promises” e “Losing My Senses” dividem opiniões, e algumas composições parecem indecisas entre o Megadeth mais acessível dos anos 1990 e o retorno ao metal que Mustaine pretendia realizar. Essa irregularidade impede que o álbum alcance o nível de Countdown to Extinction (1992), Youthanasia (1994) ou, naturalmente, Rust in Peace.

Ainda assim, reduzir The World Needs a Hero a uma simples reação a Risk seria injusto. O disco representa um momento importante na trajetória do Megadeth: é o registro de uma banda tentando reencontrar seu caminho. Talvez seja justamente por isso que o álbum tenha envelhecido melhor do que sua reputação inicial sugere. Ele não é um clássico perdido e tampouco representa uma volta triunfal às raízes. É algo mais interessante: um passo na direção certa.


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